Foto: Dr. Roni Moya.

 

Nos congressos científicos e médicos mais modernos, como o Congresso Ibérico de Medicina Anti-Envelhecimento e Tecnologias Biomédicas, realizado em Vilamoura no início de Junho deste ano, começa-se agora a ouvir falar de novas abordagens à nutrição e à saúde do indivíduo, como por exemplo a Nutrigenómica, ou a Nutrigenética, ciências estas baseadas, como os próprios nomes indicam, na genética humana. Hoje sabe-se que a saúde é multifactorial e depende, para além de de determinados nutrientes da nossa alimentação, também das suas doses e respectiva interacção e modulação com os correspondentes mecanismos moleculares. Esses mecanismos são responsáveis por inúmeras funções biológicas vitais, como a regulação do equilíbrio físico e do bem-estar, da auto-imunidade, do aparecimento e desenvolvimento de doenças, etc. Por sua vez, a saúde humana depende também de inúmeros outros factores ambientais, porventura menos controláveis que a alimentação, como o grau de exposição a agentes químicos e à poluição, de exposição solar, da hereditariedade, dos níveis de actividade física, etc.

Neste contexto, gostaria de destacar aqui o trabalho de divulgação científica que o Dr. Roni Moya (*), um jovem Biomédico brasileiro, a trabalhar em Portugal, especialista em Biologia Celular e Molecular, tem vindo a dsenvolver na sua coluna "Ponto de Equilíbrio", editada na revista "Saber Viver", com crónicas de grande interesse e actualidade e que estão sendo disponibilizadas on-line através da sua página pessoal (veja na secção Perfil > Artigos publicados). Uma dessas crónicas, intitulada "A Nova Era da Nutrição Inteligente", publicada este ano, em Fevereiro de 2009, apresenta-nos precisamente uma breve introdução aos vastíssimos temas da Nutrigenética/Nutrigenómica. Nela o Dr. Roni destrinça estes dois conceitos da seguinte forma:

 

"Os termos nutrigenómica e nutrigenética são dois campos com distintas abordagens, para elucidar a interacção entre os genes e a dieta, porém com apenas um foco comum: o de aprimorar o estado de saúde através da personalização da nutrição. O sufixo «oma» vem do grego e significa «todo» ou «completo». Genoma significa a análise global de todos os genes. A nutrigenómica, então, estuda a inf luência dos ingredientes comuns da dieta no genoma humano e verifica como as moléculas dos nutrientes podem afectar as vias metabólicas e o controlo do equilíbrio biológico do sistema de um indivíduo. A nutrigenética, por sua vez, visa perceber como um gene em específico pode alterar a resposta de uma pessoa a um determinado alimento e conduzir ou predispor para uma certa doença. É a velha história do «por que razão engordo comendo certas coisas e a minha amiga não?»."

 

Fonte: "A Nova Era da Nutrição Inteligente",
revista "Saber Viver" (Fev/2009).

 

Conforme se pode depreender, as aplicações da Nutrigenómica e da Nutrigenética são extraordinariamente vastos, e com inúmeras aplicações práticas, por exemplo na oncologia, na doença cardiovascular, na diabetes, etc. A este respeito, o Dr. Roni Moya refere que, "no campo da oncologia (…) foi verificado que um componente lipídico da dieta (LC-PUFA) está relacionado com o crescimento e colonização de certos tumores e o óleo de peixe, rico em ómega 3, pode prevenir tal desenvolvimento tumoral". Na predisposição para a diabetes tipo II, por exemplo, foram recentemente indentificados os genes PPAR, SREBP-1c, adiponectina e resistina, os quais, uma vez alterados, de acordo com o Dr. Roni, deverão ser acompanhados de uma dieta com restrição de amidos/açúcares. Em relação à obesidade, também estão identiticados os vários genes reguladores da insulina, o aumento do metabolismo dos hidratos de carbono, o transporte e a absorção de gorduras, etc. E por aí em diante. As possibilidades são praticamente infinitas. E todas estas informações são preciosas para a tomada de decisão médica, que poderá assim optar por uma acção terapêutica personalizada, dependente da condição clínica e dos factores genéticos que individualizam cada paciente. Cada pessoa é única, e a Nutrigenética/Nutrigenómica são as ciências que vão permitir aprofundar esse conhecimento da individualidade de cada um de nós.

Você pode visitar a página do Dr. Roni Moya e ler as suas crónicas na revista "Saber Viver" através do endereço www.ronimoya.com.

 

(*) - O Dr. Roni Moya é consultor científico da DIESE, desenvolve seminários em medicina ortomolecular e anti-envelhecimento pela Terra Salud, de Barcelona, seminários de medicina biológica pela Raul Vieira/Symbiofarm de Portugal/Alemanha, é responsável pelo Departamento de Medicina Complementar da Associação Indiveri Colucci, é investigador convidado do Departamento de Biologia Molecular e Nutrigenética dos Laboratórios Fernanda Galo, é membro da Associação Portuguesa dos Profissionais da Acunpuntura (APPA), da World Society of Anti-Aging Medicine (WOSAAM), da World Anti-Aging Academy of Medicine (WAAAM) e da Society for Free Radical Biology and Medicine, além de ser cronista da revista "Saber Viver".



 

Foto: Prof. Isabel do Carmo, fundadora
e dinamizadora do
NDCA.

 

O Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar é uma sociedade científica de âmbito nacional, com origem na Consulta de Comportamento Alimentar do HSM, em 1989. Foi fundado pela Prof. Isabel do Carmo, "uma das maiores especialistas portuguesas em obesidade e comportamento alimentar", investigadora proeminente na área da obesidade e das doenças do comportamento alimentar, assumiu a presidência desta associação logo no seu primeiro mandato. A página oficial do NDAC pode ser visitada no endereço www.comportamentoalimentar.pt.  Mais abaixo segue-se um conjunto de ideias coligidas a partir da página do NDCA, da autoria da Prof. Isabel do Carmo, as quais representam a filosofia de abordagem à nutrição designada por escola de Santa Maria.

 

NDCA - NÚCLEO DE DOENÇAS DO COMPORTAMENTO ALIMENTAR
www.comportamentoalimentar.pt

 

RODA DOS ALIMENTOS:
"Existem directrizes, como a Roda dos Alimentos, que têm como principal objectivo educar o grande público e ajudá-lo a seguir uma prática nutricional saudável."

 

HIDRATOS DE CARBONO:
"Hidratos de carbono. Encontram-se em maior quantidade nos produtos da terra, mas também em alguns de origem animal. Fornecem a maior parte da energia, necessária ao organismo. (…) Fontes alimentares: arroz, batatas, cereais, fruta, leite, mel, pão."
"Cereais e Derivados, Leguminosas Secas: Numa alimentação equilibrada, são os principais fornecedores de energia. (…) Os cereais pouco refinados e as leguminosas melhoram as funções intestinais. "
"Farináceos. (…) São alimentos ricos em amido, vitaminas do complexo B, ferro e fibras. Além disso, contém um baixo teor de gordura. Algumas variedades de cereais processados industrialmente, como por exemplo as bolachas, são ricas em colesterol. Prefira: As variedades de pão de mistura ou as menos refinadas (pão mais escuro); Os cereais, elaborados a partir de farinhas menos refinadas e pobres em açúcar; Os vegetais feculentos como batata, feijão, grão, milho e lentilhas, mas consuma-os em quantidades q.b.; Ocasionalmente as variedades de arroz e massas integrais, bem como as massa sem ovo."

 

PROTEÍNAS:
"Proteínas ou prótidos. Fontes Alimentares: Proteínas Completas - Galinha, Lacticínios, Peixe. Proteínas Incompletas - Feijão, Grão, Nozes, Sementes, e Vegetais. É necessário consumir uma grande quantidade e variedade de proteínas incompletas para cobrir todas as necessidades de aminoácidos. Há então que compensar essa deficiência, combinando-as com outras proteínas. (…) Combinações correctas: Arroz e feijão; Cereais e leite; Feijão e milho; Pão e queijo."
"De um modo geral, as carnes [são] especialmente ricas em gordura saturada e em colesterol. Sabe-se que o tipo de gordura existente no peixe é mais saudável do que o existente na carne."
"Evite: Carnes vermelhas - em especial os cortes ricos em gordura; Aves - ganso e pato; Vísceras - fígado, miolos, chispe, língua, tripas, rim, entre outras; Produtos de charcutaria; Peixe - bacalhau e ovas de peixe; Mariscos - camarão, polvo e lulas"
"Dê preferência a carnes magras, retirando-lhes as gorduras visíveis."
"Claras em substituição das gemas. Ao contrário das gemas, as claras são ricas em proteínas e não contêm gordura nem colesterol. (…) Modere a ingestão de gemas, porque são riquíssimas em colesterol. Não ultrapasse mais de 3."
"Como aumentar a dose de proteínas: Acrescentar 1 onça [30 gr] de carne às refeições principais equivale a mais 7 g de proteínas; Fazer um pequeno-almoço de alto valor proteico, misturando fruta (morangos, bananas, por ex.) a um iogurte; Adicionar queijo à salada de uma das refeições principais; Comer bolachas, leite e queijo às merendas."

 

GORDURAS:
"Hoje sabe-se que o consumo de gorduras saturadas está relacionado com o aumento crescente de doenças ditas da civilização ou degenerativas."
"Em termos gerais, o que se verifica é uma ingestão de gorduras em excesso, nomeadamente das saturadas."
"As gorduras e calorias em excesso são as maiores inimigas de uma dieta saudável"
"As gorduras vegetais e as do peixe são mais benéficas para a nossa saúde, ao contrário das que são provenientes da carne, que podem aumentar o colesterol (gema de ovo, vísceras, etc.). Estas últimas devem ser consumidas com moderação."
"As gorduras saturadas, presentes principalmente na carne e na gema do ovo, podem provocar um aumento dos níveis de colesterol no sangue."
"Reduza a ingestão de gorduras saturadas, que pode encontrar nos produtos que contêm gordura animal, como a manteiga, as natas, as carnes gordas, algumas bolachas e chocolates."
“Também as gorduras vegetais, quando sujeitas a altas temperaturas ou manipulações industriais (fritos, pré-cozinhados, etc.) podem tornar-se em gorduras saturadas.”
"Escolha criteriosamente as gorduras que utiliza, dando preferência às gorduras de origem vegetal.(…) Prefira os óleos vegetais e os cremes vegetais para barrar."

 

VEGETAIS E FRUTOS:
"Estes alimentos são excelentes aliados para a sua saúde. Não têm colesterol, contêm poucas calorias, gordura e sódio. São ricos em fibra, minerais e vitaminas, em especial vitaminas antioxidantes."
"Modere: O consumo de frutos gordos como o abacate, o amendoim, as nozes, entre outros. A ingestão de azeitonas."
"Evite alguns frutos como o caju, coco e o pistácio."

 

COLESTEROL:
"O colesterol, um dos maiores factores de risco do coração."
"Riscos resultantes de se ter um colesterol elevado. (…) A doença mais comum destas artérias, a arteriosclerose, resulta da deposição de substâncias - gorduras e colesterol, no interior destes vasos. Estes depósitos provocam a diminuição do seu calibre, dificultando o fluxo normal do sangue. (…) O processo de depósito de gorduras e colesterol no interior das artérias pode ser acelerado quando os seus níveis são elevados."
"Quando o colesterol existe em excesso no sangue, as LDL, são responsáveis pelo seu depósito nas paredes das artérias, formando as placas de arteriosclerose. Por essa razão são conhecidas como o ‘mau colesterol’."
"Uma alimentação equilibrada é a melhor opção para manter os níveis de colesterol controlados. (…) Escolha as variedades cereais e seus derivados menos refinados. Dê preferência ao peixe em detrimento da carne. Modere o consumo de gordura e de alimentos ricos em colesterol. No que respeita às gorduras, privilegie as gorduras polinsaturadas e monoinsaturadas, em detrimento das gorduras saturadas."
"O colesterol é uma substância gorda presente em todas as células do organismo, necessária, em pequenas quantidades, ao seu funcionamento. O fígado encarrega-se de produzir colesterol de acordo com as nossas necessidades e, na realidade, a sua maior parte é fabricada por este órgão. (…) O nosso organismo utiliza-o para diversos fins: é essencial para a produção de determinados hormonas, vitaminas, sais bilares (sais que ajudam a digestão das gorduras) e ainda para a construção das paredes celulares. No entanto, quando o nível de colesterol no sangue está elevado, o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares aumenta."

 

DIETA MEDITERRÂNICA:
"Azeite e saúde: A dieta mediterrânica. Ao estudar os hábitos alimentares das diferentes populações, a comunidade médica internacional verificou que a alimentação, rica em azeite, dos países costeiros do Mediterrâneo podia explicar os níveis reduzidos de colesterol no sangue e uma baixa incidência de doenças cardiovasculares (…) Já no início da década de 60, um estudo havia demonstrado que o padrão alimentar mediterrânico é um dos mais saudáveis do mundo. Os resultados deste estudo revelaram que em países onde a dieta é tradicionalmente rica em gorduras vegetais (como o azeite), registam uma incidência muito menor do enfarte do miocárdio, enquanto nos EUA, Finlândia e Holanda, onde se verifica um consumo elevado de gorduras saturadas, há uma alta incidência desta doença coronária."
"O azeite é rico num tipo de gordura saudável (gordura monoinsturada) que reduz o mau colesterol (LDL) no sangue, mantendo o nível de "bom" colesterol (HDL). Deste modo permite um equilíbrio saudável entre estes dois tipos de colesterol. O mau colesterol deposita-se nas paredes internas das artérias, estreitando-as e causando arterosclerose, que pode conduzir a um enfarte do coração e á paragem cardíaca. O bom colesterol, pelo contrário, protege-nos do enfarte do coração. Pelos seus efeitos saudáveis sobre a gordura do sangue, o azeite diminui o risco do enfarte cardíaco. "

 

VITAMINA D:
"Vitamina D: Um indivíduo, até aos 50 anos, deve ingerir uma dose diária de 200 UI de vitamina D. Entre os 50 e 70 anos, é recomendada uma dose diária de 400 UI. Acima dos 70 anos, a dose deve ser aumentada para 600 UI diárias. Para obter a dose necessária de vitamina D, aconselha-se a exposição solar da face, braços e mãos, durante 10 a 15 minutos, 2 a 3 vezes por semanas. (…) A dose diária de vitamina D não deve exceder as 1.000 UI. Acima deste valor a vitamina D torna-se tóxica, podendo causar defeitos congénitos e depósito de cálcio nos rins e nas artérias."

 

PEQUENO-ALMOÇO:
"Conselhos para Pequeno Almoço: Para começar o dia em pleno não abdique de um pequeno almoço equilibrado. Lacticínios: um copo de leite de 200 ml é equivalente a 2 iogurtes ou a 30 g de queijo. (…) O pão deverá ser o cereal de eleição. (…) Quando o despertador toca e o apetite não acorda, o sinal é pouco saudável. É o preço que se paga, por alguns excessos alimentares como, por exemplo, o reduzido consumo de água e falta de exercício físico."
"Leite e Derivados Proteicos: É um grupo fundamental durante toda a fase de crescimento. São excelentes fontes de proteínas, vitaminas e cálcio. No entanto, não se esqueça que os lacticínios são fontes de gordura saturada. (…) O leite e/ou iogurtes devem fazer parte da alimentação diária das crianças e jovens. Pelo menos 500 ml/dia."
"Os lacticínios devem estar presentes diariamente na nossa alimentação. Ricos em Proteínas e vitaminas A e D são também excelentes fornecedores de cálcio, um mineral essencial na prevenção da osteoporose. No entanto, há que ter em atenção a percentagem de gordura saturada e de colesterol que contêm."
"Evite leite completo, condensado ou evaporado, iogurte gordo, natas e manteiga - Queijos muito ricos em gordura (Serra, Roquefort, etc.)"

 

DIABETES:
"A dieta é uma medida fundamental para manter a diabetes sob controlo. É também o modo efectivo de prolongar a esperança de vida do diabético. Todos os diabéticos devem cumprir um plano de refeições. Os alimentos aumentam o nível de açúcar (glicose) no sangue, nível esse que varia de doente para doente. Por essa razão, um adequado plano de refeições, na maioria dos casos, ajuda a reduzir os valores de glicose."
"Os carbohidratos produzem energia para que o nosso corpo possa trabalhar (1g = 4 Kcal), podendo ser encontrados, principalmente, nos cereais, leguminosas, batatas, assim como nas frutas e vegetais. Alguns são de absorção rápida (açúcar, doces, etc.) e outros de absorção lenta (leguminosas, cereais, etc). O seu conteúdo na dieta é directamente responsável pelos níveis de glicose. Assim, é muito importante manter a sua quantidade sob controlo."
"Os alimentos ricos em fibras (frutas, vegetais, e produtos integrais) são recomendados, pois ajudam a diminuir as flutuações do açúcar."
"Na dieta dos diabéticos, os factores nutricionais devem ser adequadamente distribuídos pelo dia. (…) A distribuição dos nutrientes deve ser feita da seguinte forma: -50-60 por cento de carbohidratos (pelo menos 100g/dia); - Evitar carbohidratos de absorção rápida (aumentam mais os valores de glicémia); - 25-30 por cento gorduras (reduzir gorduras animais); - 15 por cento de proteínas (metade de origem vegetal)."
"Lembre-se: é um erro acreditar que se pode manter a dieta sob controlo apenas não comendo açúcar ou alimentos doces.”

 

NDCA:
O Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (NDCA) é uma sociedade científica portuguesa sem fins lucrativos. Tem por objectivo o estudo das doenças do comportamento alimentar, assistência em hospital de doentes e organização de reuniões científicas sobre o tema, bem como congressos, colóquios, conferências e seminários. A direcção do NDCA é composta por alguns dos mais prestigiados profissionais de saúde portugueses e tem entre os seus membros, especialistas da área de Endocrinologia, Psiquiatria, Psicologia, Nutrição, Clínica Geral e Terapia Familiar. O NDCA teve origem inicial no núcleo que fundou a Consulta de Comportamento Alimentar do HSM, em 1989. Com o desenvolvimento da consulta e com a estruturação de outras consultas no Porto e em Coimbra sentiu-se a necessidade da criação duma sociedade cientifica, de carácter nacional, que congregasse todos os interessados não só na clínica como na investigação nesta área. A primeira reunião científica alargada a nível nacional deu-se com as “I Jornadas de Alimentação, Hábitos e Comportamentos”, em Dezembro de 1993 em Lisboa.

 

Fonte: Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar.

 

Páginas/Artigos relacionados:

Núcleo de Doenças do Comportamento Alimentar (NDCA)
Vidas com Lutas. A vida da Professora Doutora Isabel do Carmo
Prevalence of obesity in Portugal (Isabel do Carmo)



Visit msnbc.com for Breaking News, World News, and News about the Economy

 

Vi esta notícia no blogue Mark’s Dailly Apple, nas ligações de fim-de-semana, descrevendo o caso de uma mulher com 260 kg que eliminou 185 kg de peso corporal e agora pesa 75 kg! Como? Andando a pé, essencialmente andando a pé, 4 vezes por semana. Veja o resto da história aqui:

Woman Loses 410 Pounds, TODAY Turns Her Into a Side Show

 

É este tipo de evidência anedótica que deita por terra todas as teorias anti-actividade física de certos teóricos, como por exemplo Gary Taubes. Por isso, se você está com problemas em regular o seu peso ou pretende eliminar uns quilinhos, o melhor que tem a fazer é sair de casa para andar a pé, e pelo caminho aproveite para apanhar uma razoável dose de sol, assegurando 20 minutos sem protector solar por causa da vitamina D. E, surpresa, olhe que a vitamina D também ajuda a perder peso!



Vídeo: Gorduras saturadas e trans destróem neurónios.

 

Gorduras saturadas destroem neurónios

Eu gosto deste tipo de notícias, confesso! Nunca fazem grande sentido, porque que pretendem sempre atribuir uma única causa a uma condição multifactorial, coisa que nunca funciona. Mas, apesar de tudo, sempre servem para entreter o povão, porque dão sempre umas boas conversas de café! O equivalente jornalístico desta reportagem televisiva é, por exemplo, o artigo seguinte (repare só no sensacionalismo do título e também na mais abusiva extrapolação que o mesmo representa, um estudo que nem sequer foi replicado em humanos):

 

Carne vermelha pode causar morte de neurônios que controlam o apetite

 

Os ácidos graxos saturados de cadeia longa, um tipo de gordura encontrada principalmente em carnes vermelhas, pode ser uma das causas da obesidade. De acordo com experimentos realizados em camundongos, essas moléculas desencadeiam uma inflamação no hipotálamo, na base do cérebro, que leva à destruição dos neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias. Segundo o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Lício Velloso, coordenador desse estudo, divulgado há poucas semanas na publicação científica Journal of Neuroscience, esse funcionamento pode explicar a dificuldade de pessoas obesas para controlar o apetite e perder peso, mesmo que adotem dietas severas.

Experimentos já haviam mostrado que regimes alimentares ricos em gordura costumam prejudicar mais hipotálamo que as dietas ricas em açúcares. Para ver qual tipo de gordura era mais danoso, os pesquisadores da Unicamp injetaram diferentes tipos de ácidos graxos de origem animal e vegetal no hipotálamo de camundongos. Substâncias extraídas do óleo de soja tiveram efeito tênue sobre o cérebro, enquanto os encontrados em gorduras animais e – em proporção menor – no óleo de amendoim apresentaram ação mais danosa. As moléculas de ácido graxo saturado se ligam a proteínas de superfície TLR-2 e TLR-4 de células chamadas microglias, que protegem os neurônios do hipotálamo contra vírus e bactérias, de acordo com o experimento realizado por Marciane Milanski, sob a orientação de Velloso. Uma vez acionadas, a TLR-2 e, em maior intensidade, a TLR-4 estimulam a produção de outras proteínas, conhecidas como citocinas. No hipotálamo, as citocinas produzidas desse modo destroem neurônios que controlam o apetite e a queima de calorias.

 

Fonte: Agência Fapesp.

 

Já agora, veja também esta outra notícia, aparentemente a oficial, porque publicada no jornal da Unicamp: "Dieta rica em gorduras causa lesão que abre caminho para a obesidade". Desta notícia eu destacaria as seguintes passagens:

 

"Pesquisa desenvolvida na Unicamp indica que dietas ricas em gorduras saturadas, como as presentes nas carnes bovina e suína, promovem a lesão de uma região do cérebro chamada hipotálamo, responsável pelo controle da fome e do gasto energético."

(…)

"As autoras descobriram que as gorduras saturadas possuem propriedades moleculares que ativam uma resposta inflamatória especificamente nesta pequena região do cérebro e, ainda, que tal inflamação é desencadeada por um receptor do sistema imune denominado Toll-Like Receptor 4 (TLR4)."

(…)

"A perda definitiva destes neurônios do hipotálamo, na opinião do professor da Unicamp, deve explicar por que pessoas obesas que se submetem a dietas rigorosas, ainda que consigam emagrecer nas primeiras semanas, voltam a engordar. “Hoje podemos afirmar que gorduras saturadas contribuem para o ganho de peso não apenas por seu valor calórico, mas também por causa de propriedades moleculares que esses nutrientes possuem. O efeito depende da carga genética de cada indivíduo. Nos experimentos, vimos que animais com predisposição à obesidade perdem mais neurônios”.

(…)

“Não registramos diferenças no ganho de peso ou na quantidade de alimento ingerido durante o período de dieta hiperlipídica. No entanto, quando voltamos à dieta normal, o grupo alimentado com gordura saturada continuou ganhando peso, enquanto o outro, que consumiu gordura de azeite, passou a perder peso, até mais do que o grupo controle”.

(…)

"Velloso observa que uma das pesquisas realizadas sob sua orientação descreve, justamente, o papel dos ácidos graxos saturados para a obesidade. “A picanha não possui apenas um tipo de gordura, são várias misturadas, com 16 e 18 carbonos. E o estudo constatou que as gorduras saturadas de cadeia longa (com mais carbonos), muito presentes nas carnes bovina e suína, são as mais inflamatórias”.

 

Fonte: "Dieta rica em gorduras causa lesão
que abre caminho para a obesidade"
(Unicamp)

 

Ratos hiperlipídicos perdem mais neurónios

Agora vamos também ver o que é que a investigação destes pesquisadores da Unicamp diz. O Dr. Lício Velloso tem vasta obra publicada, destacando-se no contexto da sua investigação, cuja hipótese de base é a de que o consumo de gorduras saturadas induz a expressão de proteínas pró-inflamatórias no hipótalamo que desregulam o apetite e conduzem à obesidade, talvez estes cinco estudos:

 

The brain is the conductor: diet-induced inflammation overlapping physiological control of body mass and metabolism. (pdf)

Saturated fatty acids produce an inflammatory response predominantly  through the activation of TLR4 signaling in hypothalamus: implications for the pathogenesis of obesity (pdf)

High-fat diet induces apoptosis of hypothalamic neurons (pdf)

The hypothalamic control of feeding and thermogenesis: implications on the development of obesity (pdf)

Consumption of a fat-rich diet activates a proinflammatory response and induces insulin resistance in the hypothalamus (pdf)

 

Comecemos pelo resumo do primeiro estudo, que diz que a "obesidade é hoje um grave problema de saúde pública no mundo. Mais de 300 milhões de pessoas são obesas e esse número deve crescer substancialmente nos próximos 20 anos. As dietas ricas em calorias são a principal causa de obesidade, porém, nem todos os indivíduos expostos a dietas altamente calóricas se tornam obesos." Ou seja, estes especialistas em obesidade aparentemente acreditam na chamada vantagem metabólica à là Atkins, apesar desta nunca ter sido demonstrada em ensaios controlados ("metabolic ward"), testando dietas isocalóricas com variação de macronutrientes. Não vou entrar neste assunto agora, a este respeito sugiro somente a leitura deste texto panfletário de A. Colpo: “They’re all mad!” - Colpo on diet doctors. Mas em dietas "altamente calóricas", portanto hipercalóricas, por definição qualquer indivíduo engorda. Isto é uma trivialidade. Adiante.

É explicado que, de acordo com estudos recentes, "o consumo de dietas ricas em gorduras induz a ativação de uma resposta inflamatória nas áreas do hipotálamo envolvidas com o controle da fome e da termogênese. Tal processo inflamatório lesa os circuitos neuronais que mantêm o controle homeostático das reservas corporais de energia, favorecendo assim o ganho de massa adiposa. Esta revisão irá focar os principais avanços obtidos nesta área." Portanto, a hipótese de base é que o mecanismo da obesidade reside no consumo de alimentos hiperlipídicos, no qual o hipotálamo é alvo de um processo inflamatório que conduz a uma deficiente regulação homeostática da energia corporal. Este artigo avança então para uma complicada descrição dos mecanismos fisiológicos da termogénese da ingestão alimentar, para chegar à conclusão, na página 155, de que "enquanto existir um equilíbrio calórico perfeito entre ingestão e dispêndio de energia, a adiposidade corporal é mantida a um nível fisiológico". Então agora já não acreditam na vantagem metabólica? Este artigo conclui que o consumo de dietas ricas em gorduras conduzem a um processo inflamatório local iniciado pela activação do gene humano TLR-4. Dependendo do perfil genético do indivíduo ou da sub-população, poderá então instalar-se um processo em que o controlo homeostático das energias corporais se degrada e a obesidade instala-se.

O segundo artigo, que é o que refere especificamente as gorduras saturadas, não está acessível (tem de ser pago), mas o que o seu resumo refere, basicamente, é que as gorduras saturadas produzem uma resposta inflamatória ao nível do hipotálamo e isso conduz a uma desregulação dos mecanismos de regulação energética, e por fim à obesidade. Basicamente diz o mesmo que o primeiro, mas focando gorduras saturadas. Tenha em conta que os proponentes de dietas low-fat, têm sempre em mente que a redução total de gorduras também conduz a uma redução de gorduras saturadas, portanto low-fat é também low-sat-fat. Convém ter presente que esta hipótese até agora só foi testada em ratos, nunca em humanos.

O terceiro estudo faz questão de afirmar, logo no seu resumo, que "o consumo de gorduras está entre os factores ambientais mais importantes que conduzem à obesidade" e que "em roedores, o consumo de dietas ricas em gorduras condiciona no hipótalamo a regulação da leptina e da insulina por um mecanismo dependente da activação in situ de inflamação". Este processo parece conduzir a uma apoptose de neurónios, a qual é dependente de composição da dieta, mas não do aporte calórico. Mas quanto a mim há uma dúvida essencial nisto tudo: o aporte calórico da dieta HF (rica em gorduras) de 24.5 kJ/gr de peso foi substancialmente superior ao da de controlo, de apenas 15.8 kJ/gr, não admirando portanto que a dieta hipercalórica tenha produzido um ganho de peso 36% superior nos ratos da dieta HF. Para além disto, não parece nada natural submeter qualquer ser vivo a uma dieta com 55% da energia só de gorduras saturadas, tal não é fisiologicamente equilibrado e, por conseguinte, obviamente causará problemas.

O quarto e quinto artigos são mais antigos e, essencialmente, parecem constituir as bases dos três primeiros.

 

Alguns comentários

Nestes vários estudos do grupo da Unicamp o que mais me captou atenção foi, no terceiro artigo, não terem sido consideradas dietas isocalóricas, e aparentemente também no quinto estudo, aliás, os estudos de intervenção, pois os restantes três não são estudos de intervenção, mas antes revisões ou comunicações breves, bem como, no terceiro estudo, os 55% de energia em gorduras saturadas, um valor a meu ver fisiologicamente despropositado e que, por isso, anula a validade das conclusões. Perante isto, a pergunta que se pode colocar é se faz algum sentido tirar conclusões, a partir destes estudos, condenando as gorduras? Porque para comparar o carácter desregulador hormonal de determinado macro-nutriente, gorduras, proteínas e/ou hidratos, seria necessário ter testado dietas isocalóricas, variando macro-nutrientes com percentagens realistas e, ao mesmo tempo, hipercalóricas para haver ganho de peso.

É que a resistência à insulina e à leptina só assume relevância substancial em indivíduos obesos, está sobretudo relacionada com a sobrecarga ponderal, causada fundamentalmente por um excesso calórico alimentar face a um fraco dispêndio físico prolongados no tempo. É bem sabido que a obesidade resulta também de um consumo excessivo de gorduras, não há dúvida, como também de um excesso de proteínas e igualmente de um excesso hidratos de carbono. Resulta de uma superabundância alimentar de tudo, e não unicamente de gorduras. E também resulta de um défice de actividade de física, de um estilo de vida sedentário, etc. É multifactorial, pelo que não adianta procurar uma causa isolada. E tanto quanto sei, as dietas pró-inflamatórias são as ricas em hidratos de carbono de alto IG, que aumentam a glucose e suscitam valores elevados de insulina, e não as hiperlipídicas, que do ponto de vista metabólico são mais neutras.

Qual a razão então para se condenar as gorduras isoladamente, designadamente as saturadas, ainda por cima quando se sabe que a saciedade é proporcionada fundamentalmente por proteínas e gorduras? E para permitir que notícias tão sensacionalistas como a que passou na reportagem acima, condenando as gorduras saturadas pela obesidade humana, com base em estudos realizados somente em roedores, aparentemente sem preocupação especial pelos aportes energéticos e não replicando dietas realistas? A hipótese formulada por estes investigadores até parece fazer algum sentido, mas focaliza-se essencialmente nas gorduras saturadas para justificar a obesidade mundial, o que, convenhamos, é uma hipótese, logo à partida, condenada ao fracasso. Se fosse correcta, então como explicar que, nos últimos anos, talvez até nas últimas décadas, apesar de uma diminuição generalizada do consumo de gorduras saturadas, não se tenha dado uma redução ou sequer abrandamento da escalada da obesidade? Ou como explicar que não exista obesidade em povos primitivos como os Masai, porventura o povo a consumir mais gorduras saturadas em todo o mundo? E já agora, como justificar a completa ausência de obesidade em povos primitivos, cujas dietas eram altamente baseadas em gorduras animais, portanto ricas em gorduras saturadas?

Independentemente disto tudo, note só a distância que vai entre as certezas da notícia de TV e as incertezas da investigação clínica…



Fonte: Campanha anti-gordura animal
da World Heart Federation
.

 

 

Vamos todos morrer entupidos por gorduras saturadas?

Você ficaria certamente estupefacto se constatasse, com os seus próprios olhos, como, de facto, não existe absolutamente nenhuma evidência robusta de que gorduras saturadas sejam responsáveis por doença cardiovascular (DCV). Aliás, nem robusta, nem média, nem fraca. E quando existe, ela é, no máximo, rudimentar e acompanhadas de desvantagens significativas, como por exemplo maior mortalidade por cancro. Eu sei, eu sei bem, hoje em dia defender gorduras saturadas parece tão completamente disparatado que quem o tentar fazer pode passar por louco. TODOS sabem que muitas gorduras saturadas entopem as artérias, causam doenças cardiovasculares e, por fim, conduzem à morte. Todos os "especialistas" sabem isto, as autoridades de saúde repetem-no vezes sem conta, é um dado mais que adquirido. Para quê estar a insistir em algo totalmente incontestável, que a imprensa e os anúncios nos explicam repetidamente?

Por outro lado, é isto que eu quero enfatizar, há MUITA informação que nunca chega à opinião pública e que sugere, para não dizer que demonstra, que não existe absolutamente nenhuma evidência robusta de que gorduras saturadas sejam responsáveis por doença cardiovascular. E isto tem vindo a ser confirmado consecutivamente em todos os grandes estudos baseados na redução de gorduras, e por conseguinte também de gorduras saturadas (tenha em conta que low-fat = low-sat-fat).

A este respeito, vejamos as páginas 63 e 64 do livro de Anthony Colpo, um dos melhores livros que você alguma vez lerá sobre estes assuntos. Preste bem atenção a estes quadros, que representam cerca de 60 anos e milhões de dólares de apurada investigação científica, tentando provar INUTILMENTE que dietas pobres em gorduras / gorduras saturadas reduzem a incidência de DCV. Sobre o maior destes estudos, o Woman’s Health Initiative, que representou uma estrondosa decepção para os "especialistas" anti-gorduras, experimente ler o artigo do Dr. Ottobonni. Como você já se deve estar a aperceber por esta altura, todos este estudos com redução de gorduras, inclusive saturadas, falharam rotunda e repetidamente no seu objectivo primordial, condenar o consumo de gorduras, à excepção de alguns estudos nórdicos que Colpo explica serem de fraca qualidade. 

E quando se verificou alguma redução de mortalidade por DCV foi através de intervenção com dietas ricas em gorduras poliinsaturadas "saudáveis" e pobres em gorduras saturadas "nocivas", como no estudo dos Los Angeles Veterans Administration, mas em que o grupo de intervenção (dieta "low-fat", i.e. pobre em gorduras saturadas) experimentou maior mortalidade por cancro, tendo, ao fim de 8 anos, ambos os grupos tido idêntica mortalidade. Portanto, não se pode dizer que neste caso tenha havido qualquer vantagem em estar no grupo com menos incidência de DCV.

Na prática, os únicos estudos com resultados visíveis na redução de DCV foram os que incluíram mais gorduras de peixe (ómega-3), aumento de antioxidantes (vegetais+fruta), certos suplementos, redução de junk-food, etc. Portanto, os estudos científicos mais importantes e abrangentes da história da Medicina, baseados na redução de gorduras / gorduras saturadas para tentar reduzir DCV, você está a ver agora, nunca provaram nada contra o consumo de gorduras saturadas, absolutamente nada!

 

Fonte: Campanha anti-gordura animal
da World Heart Federation
.

 

 

Afinal, não existe ciência em suporte de dietas pobres em gorduras saturadas

Surpresa, surpresa, surpresa, conforme estamos a constatar, simplesmente não existem estudos de intervenção demonstrando causalidade, por mais fraca que seja, entre essa coisa genérica designada "gorduras saturadas" e DCV, apesar de naturalmente se ter verificado diminuição do colesterol associado às manipulações dietéticas em inúmeros desses estudos (hipótese lipídica outra vez na corda bamba!). A conclusão a retirar disto tudo é que se gorduras saturadas fossem efectiva e inequivocamente muito nocivas para o coração, então estudos de intervenção conseguiriam consecutivamente demonstrar claramente essa relação, mas isso não acontece porque não existe um único estudo no mundo a demonstrar que uma vida sequer tenha sido salva por redução de gorduras saturadas.

Eu sei que é muito difícil de acreditar nisto mas, por um momento, olhe para a ciência e não para as opiniões dos médicos ou do lóbie das margarinas. Mas o contrário verifica-se: a substituição de gorduras animais por óleos vegetais ricos em ómega-6, verificada nos estudos The Rose et Al., no Anti-Coronary Club e no Sidney Diet Heart, conduziu a maior mortalidade total, e no Los Angeles Veteran Administration conduziu a maior mortalidade por cancro.

Na página 74 do livro de Anthony Colpo, que de facto é um livro completamente obrigatório para quem está interessado em verdadeira Ciência, e não quer andar aqui a ser enganado por todos estes especialistas modernos, está escrito, preto no branco, o seguinte:

It must again be emplhasized that the dietary interventions studies discussed in this chapter represent sixty years’ worth of intensive sesearch, the expenditure of hundreds of million of dollars in public funds, and an enormous amount of time and effort. The reason this massive undertaking has failled miserably to find any causative role for highly saturated animal fats or tropical fats in the development of CHD should by now be obvious - there is none!

 

Fonte: The Great Cholesterol Chon,
Anthony Colpo (2006).

 

E há muito mais gente a dizer o mesmo que aqui está dito. Veja, por exemplo, este artigo: The low fat/low cholesterol diet is ineffective.

 

Fonte: Campanha anti-gordura animal
da World Heart Federation
.

 

 

Se gorduras saturadas afinal não são mortais, então só podem ser…

 Estamos quase lá. Se não são más, então só podem ser neutras ou saudáveis. Isto é como no totobola: 1 X 2. Mas calma, antes de tirarmos mais qualquer conclusão adicional, pensemos um bocado. Você não vai às compras e pede gordura saturada ao quilo, pois não? Estas gorduras estão sempre associadas a alimentos, por regra de origem animal e tradicionais, como as carnes, queijos e ovos. Portanto, o problema não é assim tão simples quanto isso. É completamente impossível dissociar gorduras saturadas dos alimentos a que estão associados. A não ser no caso de óleos ricos em gorduras saturadas, como o leite/óleo de coco, que por acaso até é uma gordura maravilhosa.

Ou seja, não admira que todos os  estudos acima citados tenham falhado pois, ao condenarem gorduras saturadas, associadas a alimentos tradicionais com os quais sempre evoluímos e para os quais o nosso corpo está plenamente adaptado, como a carne, os ovos, queijos e a manteiga, introduziram ao mesmo tempo óleos vegetais que nunca fizeram parte da dieta humana, causando desequilíbrios vários. Não é preciso ser nenhum cientista para entender isto, basta olhar para a evidência e ter bom senso. Por tudo isto é que é tão urgente adoptar-se o paradigma evolucionário no estabelecimento de dietas humanas, aliás como algumas entidades já o estão a fazer.

Voltando ao assunto deste tópico, poderão as gorduras saturadas ser saudáveis? Conforme você terá eventualmente notado, esta comunidade paleo, que gosta muito de gorduras saturadas, tem vindo a estudar o tema e, em simultâneo, a testar as suas convicções nela própria, digamos que com resultados impressionantes em matéria de perfil lipídico. Naturalmente que isso não resulta unicamente das gorduras saturadas, trata-se antes de um estilo de vida onde não existe qualquer preocupação em limitar estas gorduras, mas sim em adoptar dietas low-carb, limitando cereais "saudáveis" de alto IG, aqueles que aparecem na base da pirâmide. Em alguns casos, e aqui falo de Richard Nikoley (Free The Animal), um indivíduo que tem um rácio TG/HDL que o coloca no olimpo anti-DCV, até existe uma certa gala em consumir muitas destas e outras gorduras. Como é que os especialistas explicam este paradoxo, vão dizer que é erro laboratorial das análises clínicas?

Eu ainda não tenho opinião claramente formada sobre a importância das gorduras saturadas na saúde humana, tenho a certeza de que não são de forma alguma nocivas, de que o tema é brutalmente empolado pelos media, e tenho a convicção de que, em face dos vários estudos e opiniões avalizadas que já li, não existe qualquer razão evolucionária/plausível para limitar o consumo de alimentos tradicionais de origem animal, quer eles sejam ricos ou pobres em gorduras saturadas. Em particular, não existe qualquer razão para, por exemplo, cortar as gorduras brancas da carne, trata-se de ácido esteárico (gordura neutra) e existem óptimas razões cientificas para consumir leite/óleo de coco, algo que eu faço com razoável regularidade.

 

Fonte: Campanha anti-gordura animal
da World Heart Federation
.

 

 

Gorduras saturadas saudáveis? Mas saudáveis para o coração? Impossível!

A propósito de "gorduras saturadas saudáveis", expressão que eu aqui faço questão de usar regularmente, pelo que de paradoxal ela possa encerrar, apesar de não haver razão alguma para que assim seja pois, como você está a verificar, e também eu concordo consigo, e isto é absolutamente inacreditável, na realidade não existe NENHUM estudo a demonstrar inequivocamente que gorduras saturadas não são saudáveis (por favor alguém apresente-o se conseguir encontrar algum na Pubmed). Mas e o contrário, poderão as gorduras saturadas serem até saudáveis para o coração? Não pode ser, esta pergunta é que é mesmo uma completa heresia, não faz qualquer sentido. Agora é que estamos a entrar no domínio do compelto delírio! Mas apenas por absurdo, e se assim fosse de facto? E se as gorduras saturadas, e/ou os alimentos tradicionais a elas associados, forem efectivamente cardioprotectores?

Eu não vou desenvolver agora este assunto aqui, mas voltarei a ele um destes dias, não vá o seu coração ressentir-se das várias surpresas, e não são poucas, não é, que este artigo já lhe proporcionou. Deixo-lhe, por isso, a sugestão de ler o artigo Effect of a high saturated fat and no-starch diet on serum lipid subfractions in patients with documented atherosclerotic cardiovascular disease e também de acompanhar tudo o que tem vindo a ser escrito recentemente no Animal Pharm, acerca do benefícios de dietas ricas em gorduras saturadas para pacientes com DCV (Tanto quanto sei, este blogue é escrito por um especialista em farmacologia que faz parte do programa Track Your Plaque, com o qual o Dr. William Davis, o "meu" cardiologista on-line favorito, também colabora):

 

Benefits of High-Saturated Fat Diets In Heart Patients (Part IV)
Benefits of High-Saturated Fat Diets (Part III): My Paleo Peeps With High HDLs
Benefits of High-Saturated Fat Diets (Part II): Centenarians, CETP, TYP Diet Part 3
Benefits of High-Saturated Fat Diets (Part I)

 

No que respeita a gorduras saturadas, por tudo o acima exposto, faça como a campanha da American Heart Association lhe sugere: 

"Abra os Olhos para as Gorduras Saturadas!"

 

Ligações relacionadas:

Low-fat diet is stupid and dangerous (Colpo)
Saturated fat in ancestral diets (L. Cordain)
Stearic acid, a unique saturated fat
Saturated fat attack (C. Masterjohn)
Saturated fat and health, WHS (1/2)
Saturated fat and health, WHS (2/2)
Effect of a high saturated fat and no-starch diet on serum lipid subfractions in patients with documented atherosclerotic cardiovascular disease
Comparison of low-fat and low-carb on circulating fatty acid composition and markers of inflammation
Dietary fats, carbohydrate, and progression of coronary atherosclerosis in postmenopausal women
Saturated fats: what dietary intake?
The low fat/low cholesterol diet is ineffective
The case for not restricting saturated fat on a low carbohydrate diet
Polyunsaturated fat intake, WHS
Saturated fats and biological functions (Enig)
Comunidade paleo a bombar HDL, com colesterol total em alta, triglicéridos e insulina em baixa, e com dietas ricas em gorduras saturadas saudáveis, de que é óptimo exemplo o óleo de coco (Canibais e Reis)




 

Na MEDPAG-Today li hoje esta notícia, Fatty Diet Linked to Pancreatic Cancer, mais uma notícia a apresentar extrapolações de causalidade com base em meras associações epidemiológicas. Convém nunca esquecer que correlação epidemiológica não significa necessariamente causalidade. Confundir as duas coisas ou é ignorância ou é então ciência selectiva. Para se demonstrar causalidade serão necessários estudos de intervenção e, convenhamos, isso será mesmo muito difícil de demonstrar, pela simples razão de que alimentos tradicionais, consumidos em doses tradicionais e em contextos de vida tradicionais, jamais serão a causa de doenças modernas.

O Dr. Michael Eades tem uma série de artigos em que analisa estas falácias epidemiológicas das campanhas anti-proteínas animais. Esses artigos são os seguintes:

 

Meat and mortality
Colon cancer and red meat
Addendum to the colon cancer and red meat post
More on red meat and colon cancer

 

Acerca destes estudos anti-consumo de carne (e anti-gorduras animais), por sinal a nossa fonte proteica de excelência nos últimos 2.4 milhões de anos, sugiro a leitura do Protein Debate, com o Dr. Loren Cordain e o Dr. Colin Campbell. Tal como o Dr. Cordain explica, as carnes consumidas pelos nossos antepassados do paleolítico eram frescas e obtidas no contexto de uma dieta rica em antioxidantes (muitos vegetais de baixo IG e alguma fruta). Muitas das carnes hoje mais consumidas são altamente processadas e salgadas, os peixes preservados com produtos químicos em latas, etc. Por isso, as dietas hiperproteicas dos humanos que nos antecederam, sendo na maioria ricas em proteínas/gorduras animais, eram consumidas num contexto natural, substancialmente diferente do contexto industrial da actual civilização.

Fonte: Protein Debate, Cordain vs Campbell.

 

Mas isto não significa que você deva embarcar nas falácias do lóbie vegetariano, abandonar o consumo de proteínas animais e com isso degradar a sua saúde. Repare bem que não existe no mundo nenhum povo saudável a viver estritamente vegetariano, e mesmo os vegetarianos/veganos convictos apenas o são por alguns meses ou poucos anos, retornando depois à carnivoragem. Portanto, certifique-se de que está a consumir carnes/peixe/ovos frescos, preferencialmente de produção biológica e, sim, assegurando-se que os animais que você come tiveram direito a uma existência digna e tão natural quanto possível.

 

PROTEIN DEBATE
Dietary Protein and Cancer

 

Observational epidemiological studies frequently (119), but not always (120) show that high animal protein diets may increase the risk for a variety of cancers, particularly colorectal cancer (121). Consequently, it might be expected that non-meat eating vegetarians would have a lower risk for these cancers. Paradoxically, this effect has not been consistently demonstrated (119). A proposed mechanism of action for the carcinogenic effect of meat consumption is the formation of toxic N-nitroso compounds (NOC) in the gut from heme iron in meat (122, 123). Short term human studies are in agreement that increased meat consumption increases NOC formation both in the lower (122) and upper (123) gastrointestinal tract. However, whether this situation translates into increased cancer risk is not known because to date, no randomized controlled trials of increased meat consumption in humans, using cancer diagnosis as an end point, have been conducted. The meats and fish consumed by pre-agricultural humans were almost always fresh, whereas current western diets contain significant quantities of processed, salted meats and fish preserved with nitrites and nitrates. Processed meats contains 10 times more NOC (5.5 µmol/kg) than fresh meat (0.5 µmol/kg) (124). Pre-agricultural humans consumed their fresh meats along with high intakes of fresh fruits and vegetables estimated to be between 35-45 % of total energy (14) compared to 8.1 % of total energy in the current U.S. diet (125). Increased fruit and vegetable consumption increases the fecal transit rate so that NOC have less contact time with the colonic mucosa and therefore may reduce the carcinogenic risk (126). Hence, the context under which high meat consumption occurred in hunter-gatherers varied significantly from what occurs in westernized populations. Animal based foods were almost always consumed fresh in conjunction with copious quantities of fresh fruits and vegetables. Even when vegetable intake was low or absent in these peoples, there is little evidence for an association of high protein, animal based diets with colorectal cancer. Prior to western acculturation, the Inuit may have consumed more than 95 % of their daily energy from animal and seafood (15), yet a comprehensive review examining virtually all historical and ethnographic data of these people prior to westernization was unable to document a single case of colorectal cancer (126). Should a high protein meat based diet initiate or promote colorectal cancer, then one might expect obligate carnivores such as cats to demonstrate high incidences of these malignancies. In, fact the opposite is true, and the rate of gastrointestinal tract cancers is quite low in domestic cats (128). In summary the case for animal based, high protein diets causing colorectal cancer, within the context of pre-agricultural diets, is weak.

 

Fonte: Protein Debate, Cordain vs Campbell.



 

 Figura: Capa de um livro anti-gorduras e
anti-colesterol da American Heart Assoc.

 

O artigo-comentário "The low fat/low cholesterol diet is ineffective", publicado no American Heart Journal em 1997, o qual você pode ler clicando aqui (5 páginas), apresenta as conclusões que podemos ler abaixo. Apesar disso, passados mais de 50 anos após o Dr. Ancel Keys ter iniciado este mito, de que dietas pobres em gorduras e colesterol são cardioprotectoras, o que na verdade é completamente ao contrário, conforme atesta a evidência epidemiológica e também clínica, ou seja, no mundo real que os "especialistas" ignoram, continuamos permanentemente a ser bombardeados com esta ideia. E pior que isso, entidades responsáveis pela luta contra a obesidade continuam hoje, no ano 2009, a querer propor-nos este completo logro das dietas low-fat, uma estupidez potencialmente perigosa para a saúde. Por outras palavras, fuja de todos os "especialistas" que proíbem alimentos com gorduras, designadamente saturadas, que dizem que vão baixar o seu colesterol total ou que usam a expressão "apenas um fio de azeite"! (nota: já uma vez vi, num restaurante pseudo-vegetariano, o uso de azeite em "spray").

 

Conclusions

The commonly-held belief that the best diet for the prevention of coronary heart disease is a low saturated fat, low cholesterol is not supported by the available evidence from clinical trials. In the primary prevention, such diets do not reduce the risk of myocardial infarction or coronary or all cause mortality. Cost-benefit analyses of the extensive primary prevention programmes, which are at present vigorously supported by Governments, Health Departments and health educationalists, are urgently required.

Similarly, diets focused exclusively on reduction of saturated fats and cholesterol are relatively ineffective for secondary prevention and should be abandoned. There may be other effective diets for secondary prevention of coronary heart disease but these are not yet sufficiently well defined or adequately tested. The circumstantial evidence of benefit from oils, particularly olive oil, vegetables, fruit and fish is strong.

For those at high risk, drug therapy, with the statins provides effective primary and secondary prevention and should be considered, with or without a diet, in the same way as drug treatment for mild or moderate hypertension.

Fonte: American Heart Journal (1997).

 



Vídeo: Dr. Loren Cordain em Lisboa, Portugal.

 

Vida moderna, doenças modernas

Conforme anunciado neste blogue, o Dr. Loren Cordain esteve em Portugal no passado 18/Maio, 2009, para uma conferência sobre "Nutrição e Doenças da Civilização". O público presente, que accorreu ao auditório da Faculdade de Farmácia em número muito razoável, certamente não deu o seu tempo por mal entregue, não tivesse o palestrante, o Dr. Loren Cordain, abordado, num espaço de cerca de 2 horas, uma infinitude de temas, de elevadíssimo interesse científico e que, se tidos em maior conta pela nossa actual sociedade, certamente constituiriam a chave para a resolução de muitos dos problemas de saúde que afectam as sociedades pós-agrícolas sedentarizadas, ou seja, a nossa actual civilização.

A primeira parte da palestra, com duração de 50 min, centrou-se numa breve introdução à teoria evolucionista, baseada no artigo "Origins and evolution of the western diet: Health implications for the 21st century", o mais citado de toda a vasta obra publicada pelo Dr. Cordain, o maior especialista internacional em nutrição de povos primitivos pré-agricultura. Neste contexto, esta parte inicial da palestra incidiu sobre as características nutricionais de dietas pré-agrícolas, a introdução de novos alimentos ao longo da história humana, as grandes alterações nutricionais e as respectivas repercussões na saúde humana, que se traduzem em maior prevalência de doenças degenerativas crónicas. Para quem já tinha lido o livro da Paleodieta e/ou o da Paleodieta para Atletas, e também alguns artigos on-line do Dr. Cordain, esta primeira parte constituiu uma aula perfeita para consolidar conceitos e, eventualmente, adquirir novos  conhecimentos.

 

Auto-imunidade e doenças da civilização

Mas porventura, a melhor parte da palestra ainda estava para vir. Com efeito, a segunda parte, com duração de 70 min, consistiu numa extraordinária aula sobre auto-imunidade, uma das linhas de investigação nas quais, me parece, o grupo da paleodieta está actualmente a apostar seriamente. E com imensa razão, porque a nutrição está na origem de inúmeras doenças auto-imunes, das quais se conhecem actualmente pelo menos oitenta, entre as quais anemias, artrite reumatóide, doença celíaca, doença de Crohn, diabetes tipo 1, esclerose múltipla, lúpus, psoríase, vitiligo, entre muitas outras.

Esta última parte da conferência, que abordou temas tão diversos como factores ambientais suspeitos, o papel do intestino na auto-imunidade, mimetismo molecular e hiperpermeabilidade, factores nutricionais, etc., assumiu um nível científico muito elevado, para leigos como eu, mas mesmo no meu caso foi extramamente útil por forneceu pistas importantíssimas para futuro estudo, e acima de tudo para entendermos claramente a razão do estilo de vida moderno, energeticamente baseado em mais de 70% de nutrientes inexistentes no período pré-agricultura, bem como altamente baseado num padrão sedentarizado, facilmente conduzir ao aparecimento das designadas doenças da civilização, ou dos estilos de vida.

 

O paradigma evolucionário

A meu ver, a adopção deste paradigma evolucionário, o único que faz verdadeiro sentido pois foi nele que a nossa evolução se deu, ao longo dos últimos 2,4 milhões de anos, constitui a chave para uma vida mais longa e saudável, porque está em perfeita consonância com o nosso genoma e com a nossa biologia. De forma inversa, quanto mais distanciados nos encontrarmos dos estilos de vida primitivos, do período pré-agricultura e do nomadismo feral que nos é natural, mais provavelmente se expressarão as susceptibilidades genéticas que conduzem a todos os problemas de saúde da civilização. E a chave para entender toda esta ligação entre nutrição, saúde e estilo de vida, reside no aprofundar do entendimento destas áreas científicas emergentes, que são a auto-imunidade, a nutrigenómica, a nutrição funcional, etc. É pela importância que assume a divulgação deste paradigma, cientificamente fundamentado evolucionariamente, que sou da opinião que esta conferência com Dr. Loren Cordain, e penso não estar a dizer nenhum exagero, terá sido provavelmente um dos momentos mais altos da ciência da nutrição em Portugal.

 

Nota final

Para terminar, aproveito aqui para deixar um agradecimento público à empresa Nutriscience, e aos jovens investigadores que a impulsionam, entre os quais se inclui o Dr. Pedro Bastos, um português que integra o grupo da paleodieta, apostados em trazer o paradigma evolucionário e toda a ciência a ele associado para a Nutrição, e que urgentíssimo isto é, por nos proporcionarem este evento tão interessante e enriquecedor. Uma nota também de especial agradecimento ao Dr. Cordain, que respondeu com imenso detalhe e paciência às dezenas de perguntas que lhe foram colocadas, e por quem possuo grande admiração pessoal, não só pelo valioso conhecimento que nos transmitiu e transmite, mas também pela sua enorme simpatia e boa disposição.

 

PS: E já agora, parece que esta conferência foi apenas a primeira da Nutriscience, no capítulo evolucionário, de várias que poderão estar em agenda. A próxima contará com o Dr. Staffan Lindeberg, que nos visitará provavelmente no início de Novembro desde ano. Aqui no Canibais e Reis estaremos atentos a este evento, e oportunamente daremos conta do respectivo programa.

 

Sítio oficial / livros:

The Paleo Diet: Optimize Your Health, Lose Weight, and Reduce Disease (página oficial)
The Paleo Diet: Frequently Asked Questions
The Paleo Diet: Lose Weight and Get Healthy by Eating the Food You Were Designed to Eat (livro)
The Paleo Diet for Athletes: A Nutritional Formula for Peak Athletic Performance (livro)

 

Artigos relacionados:

The Paleo Diet: published research (artigos obrigatórios)
Estudos de intervenção envolvendo dietas de tipo paleolítico, ou como não deveríamos ter deixado de comer como os nossos antecessores caçadores-recolectores da idade da pedra (Canibais e Reis)
Conferência ‘Nutrição e Doenças da Civilização’, com o Prof. Loren Cordain, em Lisboa, dia 18 de Maio
Alguns artigos científicos importantes, que ajudam a enquadrar o que vamos ouvir na conferência com o Dr. Loren Cordain neste próximo dia 18 de Maio
Saúde, condição física, nutrição e exercício em sociedades primitivas, por Pedro Bastos
Papel da Nutrição em Doenças Auto-Imunes’, um artigo de Pedro Bastos
 

Entrevistas: 

Entrevista com o Dr. Loren Cordain, autor de ‘The Paleo Diet: Lose Weight and Get Healthy by Eating the Food You Were Designed to Eat’, no The Livin Low Carb Show
Entrevista do Dr. Loren Cordain na Super Human Radio e outras entrevistas on-line



A seguir, a minha listagem de entrevistas favoritas no The Livin’ La Vida Low-Carb Show, cujo autor é o extraordinário Jimmy Moore. De todas estas entrevistas, que eu já ouvi em duplicado ou triplicado, há uma que quase ignorei de início, mas que depois passou a super-favorita, a entrevista com Jennifer McLagan, autora de "Fat: An Appreciation of a Misunderstood Ingredient". Com efeito, esta senhora muito inteligente tem inúmeras qualidades, designadamente, e em doses abundantes, a mais poderosa de todas, e que não se aprende em nenhum curso superior, que é o bom-senso!

 

Entrevistas LLCS - favoritas e recomendadas:

Going On A Paleo Diet With Dr. Loren Cordain (Episode 247)

By Popular Demand, Body Recomposition Expert Lyle McDonald! (Episode 238)

Mark Sisson: A ‘Daily Apple’ Of Primal Nutrition (Episode 176)

Arthur DeVany Explains Evolutionary Fitness And Curing Diabetes (Episode 211)

T.S. Wiley Says ‘Lights Out!’ For Weight Loss And Hormonal Health (Episode 230)

Swedish Low-Carb Triathlete Jonas Colting (Episode 262)

Dr. William Davis: Atkins Nutritionals Presents Best Of 2008 ‘Encore Week’ (Episode 214)
Dr. William Davis: part 2 - Tim Russert Didn’t Have to Die (Episode 186)
Be Heart Smart With Heart Scan Blogger, Dr. William Davis: Part 1 (Episode 185)

A Talk With Professor Richard Feinman: Part 2 (Episode 136)
Jimmy Interviews Professor Richard Feinman: Part 1 (Episode 135)

Dr. Steven Gundry Talks About His ‘Diet Evolution’: Part 2 (Episode 180)
Dr. Steven Gundry And His ‘Diet Evolution’: Part 1 (Episode 179)

Dr. James E. Carlson: Atkins Nutritionals Presents Best Of 2008 ‘Encore Week’ (Episode 215)
Genocide? You Decide! The James Carlson Interview Part 2 (Episode 146)
Are We Witnessing A Dietary Genocide? Dr. James Carlson Thinks So! (Episode 145)

Dr. Keith Berkowitz Answers More Of YOUR Questions On Hypoglycemia (Episode 165)
Dr. Keith Berkowitz Answers YOUR Questions! (Episode 164)
Dr. Keith Berkowitz On The Forgotten Blood Sugar Disorder: Hypoglycemia (Episode 144)

Learning to Love Fats With Jennifer McLagan (Episode 207)

Deon Van Der Merwe Working Hard To Spread Low-Carb In South Africa (Episode 257)

Talking ‘Toxic Fat’ With Zone Diet Creator Dr. Barry Sears (Episode 201)

Dr. Mary C. Vernon: Atkins Nutritionals Presents Best Of 2008 ‘Encore Week’ (Episode 216)
Dr. Mary C. Vernon Answers MORE of Your Questions (Episode 174)
Dr. Mary C. Vernon Answers Your Questions (Episode 173)
Jimmy Moore Interviews Dr. Mary C. Vernon (Episode 50)

Dr. Richard Bernstein On The Low-Carb Diabetes Solution (Episode 264)
David Mendosa Talks Low-Carb and Diabetes (Episode 169)

Neurologist Dr. Larry McCleary On Healthy Low-Carb Brain Foods And Type III Diabetes (Episode 229)

 

PS: Para download dos ficheiros, experimente usar o utilitário ORBIT, que é um gestor de downloads gratuito. É muito simples de usar: você instala o programa, e ele fica integrado com o seu browser. Depois basta clicar numa ligação de uma entrevista mp3, e fazer "Baixar pelo Orbit" que ele faz o download, retomando em caso de quebra na ligação, e guarda em c:\downloads\



 

Dr. Richard Bernstein On The Low-Carb Diabetes Solution (Episode 264)

 

O entrevistado da semana no The Livin’ La Vida Low-Carb Show é o Dr. Richard Bernstein, um médico diabético tipo 1 com uma história de vida, a meu ver extraordinária. Para conhecer o percurso devida deste engenheiro que depois se tornou médico lendário, lutando contra tudo e contra todos, e pelo meio revolucionando por completo a abordagem da medicina ao tratamento da diabetes, leia este artigo: "Dr. Bernstein Diabetes Solution: my life (Vale mesmo a pena lê-lo). Apenas para lhe dar uma ideia, o Dr. Bernstein foi das primeiras pessoas a aparecer no meio médico a dizer (na realidade a ensinar aos médicos da época) que os diabéticos poderiam controlar a sua glicémia através da nutrição, mas foi ridicularizado pelos "especialistas" de então, e rejeitado pelas publicações científicas.

Para além disto, os seus livros estão banidos pela American Diabetes Association, e não lhe é permitido acesso a publicitar nas publicações da ADA. E note que o seu livro Dr. Bernstein’s Diabetes Solution. A Complete Guide to Achieving Normal Blood Sugars é hoje o livro mais lido do mundo sobre diabetes, livro que eu já li parcialmente e, de facto, é um manual de grande qualidade e inteligência, escrito por um médico com inúmeras décadas de prática, ele próprio diabético tipo 1. E tudo isto apenas porque este médico recomenda uma dieta de tipo low-carb / cetogénica aos seus pacientes, o que lhes permite atingir níveis glicémicos absolutamente não-diabéticos e com isso minimizar as dosagens de insulina ! E ainda dizem que os EUA é o país da liberdade.

Oiça esta entrevista, que é muito interessante e, certamente, das mais poderosas até hoje realizadas por Jimmy Moore.

Impressionado? Já agora, abaixo ficam algumas ligações para artigos sobre diabetes que tenho vindo a escrever. A ciência da nutrição demonstra, muito claramente, que a abordagem mais correcta à diabetes consiste em restringir os "hidratos de carbono" de alto IG, justamente aqueles que os modernos "especialistas" em nutrição diabetes estão convencidos que são uma coisa maravilhosamente saudável, propondo-os em grandes doses na base das pirâmides alimentares, os tais "cereais saudáveis", mesmo para pessoas com absoluta intolerância aos mesmos, como é o caso dos diabéticos. Vá-se lá entender porquê!

Uma última nota: você e eu, que não somos diabéticos, o que temos a haver com isto? Ao contrário do que você pode imaginar, temos tudo a haver, porque o controlo glicémico tem absolutamente tudo a haver com a longevidade, conforme assinalam inúmeros estudos, dos quais eu destaco este: A New Zealand Linkage Study Examining the Associations Between A1C Concentration and Mortality. Como você pode constatar, a conclusão deste estudo foi "This is the largest study to date of A1C levels and subsequent mortality risk. It confirms previous findings that A1C levels are strongly associated with subsequent mortality in both men and women without a prior diabetes diagnosis". Entendido?

 

Ligações relacionadas:

Dr. Bernstein’s Diabetes Solution. A Complete Guide to Achieving Normal Blood Sugars (livro)

Diabetes Normal Blood Sugars, Richard Bernstein (sítio oficial)

"Dr. Bernstein Diabetes Solution: my life", Richard Bernstein

"Dr. Bernstein Diabetes Solution: the basics", Richard Bernstein

"The Effects of a Low-Carbohydrate Regimen on Glycemic Control and Serum Lipids in Diabetes Mellitus", Richard Bernstein

"Low-carb guru weighs in on controversy", Diabetes Interview (Março, 2004)

"Some long-term sequalae of poorly controled diabetes that are frequently undiagnosed, misdiagnosed or mistreated", Richard Bernstein

Bernstein: No Other Diet Works To Control Blood Sugars In Diabetics As Well As Low-Carb, Jimmy Moore

"The soft science of dietary fats", Gary Taubes

Autoridades de saúde ignoram nutrição terapêutica na diabetes e DGS, até Junho de 2008, desconhecia prevalência da doença, que já ronda os 12% na população adulta portuguesa (Canibais e Reis)

Quais os valores desejáveis e alcancáveis de HbA1C em diabéticos? (Canibais e Reis)

Diabetes, a mina de ouro da medicina moderna para o século XXI (Canibais e Reis)

"Argumentos para inclusão de dietas com baixos valores de HC no tratamento e prevenção de diabetes tipo 2" (Canibais e Reis)



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  • O Primitivo: A meu ver, a questão das gorduras saturadas será sempre muito polémica e controversa, apesar destas nada terem a haver com as causas de doença car

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Canibais e Reis

"As populações da Idade da Pedra tinham vidas mais saudáveis do que a maior parte do povo que surgiu imediatamente depois delas. Quanto a facilidades, como a boa alimentação, os divertimentos e os prazeres estéticos, os primitivos caçadores e recolectores de plantas gozavam de luxos que só os mais ricos dos nossos dias podem gozar" - Marvin Harris (1927-2001).

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