06 de Fevereiro, 2010
“Ministério da Saúde ainda foi a tempo de cancelar dois milhões de doses de vacinas contra a Gripe A H1N1″, dizem-nos eles optimisticamente, como se isto representasse qualquer vantagem para o erário público ou para a Saúde Pública, o que é evidenciado pelo resultado praticamente nulo desta campanha
Autor: O Primitivo. Categoria: Civilização| Mitos| Saúde
Vídeo: Tutela cancela dois milhões de vacinas contra a Gripe A
"Ainda fomos a tempo", vamos acreditar nisto
A RTP, televisão do Estado, por sinal bastante alinhada com este Governo, explica-nos que "o Ministério da Saúde ainda foi a tempo de cancelar dois milhões de doses de vacinas contra a Gripe A H1N1, uma quantidade que corresponde a cerca de 30 por cento da encomenda de seis milhões realizada antes do Verão de 2009". O mais extraordinário é dizer-se "ainda foi a tempo", como se nós acreditássemos que isso nos terá proporcionado qualquer espécie de vantagem num processo negocial em que, à partida, estamos necessariamente em desvantagem frente ao lóbie vacineiro, que como até já se tornou público, inclusivamente estabelece nos seus Contratos o que os Governos podem ou não dizer às populações. Ou seja e para que não restem dúvidas, quem dá as ordens e domina o andamento do processo são as farmacêuticas. Também o jornal O Público parece estar em defesa da actuação deste Ministério pois noticiou que o "Governo poupa 15 milhões de euros em vacinas contra a gripe A". Ora, ninguém poupou nada, isto foi apenas um completo esbanjamento de dinheiros públicos. E em todo este processo nunca houve a sensatez, por parte da comunidade científica, de se debater e questionar abertamente a utilidade desta campanha inédita. Aliás, as televisões foram as primeiras a deixarem-se levar no folclore das vacinações oficiais, como se isso demonstrasse ou provasse alguma coisa. Nunca vi, por exemplo, ser questionada a segurança do esqualeno das vacinas Pandemrix, adjuvante sobre o qual recaem dúvidas legítimas de nocividade para humanos. Nem sequer de averiguar qual a razão desta ser a primeira e única vacina gripal ministrada em 2 doses, pois mais nenhuma outra o é nem nunca foi. Há sempre a desculpa para dizermos que a OMS aprovou e informou que era assim, e como a OMS é uma organização cientificamente rigorosa e absolutamente transparente, que por acaso até nem alterou a definição de pandemia propositadamente para precipitar este cenário mega-vacinatório, nós acreditámos cegamente e vai daí vamos vacinar 30% da população nacional. Mesmo tratando-se de uma vacina com ingredientes novos e praticamente sem ensaios clínicos, certamente sem qualquer validação a longo prazo, realizados à pressa e com quantidades diminutas de participantes. Foram ensaios mais só para "fingir" porque os "especialistas" SABEM que todas as vacinas funcionam sempre, apesar de se levantarem actualmente questões sobre as vacinas, conforme se pode ler, por exemplo, no artigo do Der Spiegel e no artigo do The Atlantic. E não adianta dizer agora que, como já foram vacinados não sei quantos milhões em todo o mundo, isso já é um óptimo ensaio, porque não é só em 3 ou 6 meses que aparecem as doenças auto-imunes, os transtornos neurológicos e os cancros. São necessárias observações de longo prazo, com anos de duração. Dizem agora que não seria ético fazer esses ensaios, pois é claro que as vacinas são sempre melhores que o contarmos apenas com o nosso sistema imunitário. Os próximos anos o confirmarão, ou desdirão. E isto bastou para realizar o negócio de encomenda de 6 milhões de doses, a 7.5 euros/dose, aliás tão bem programado que até hoje apenas se vacinaram 500 mil indivíduos (incluindo os titulares de cargos políticos, e que imensa falta nos fariam), e agora 2 milhões de doses já foram canceladas e está-se em mais negociações para cancelar outro milhão. O problema é que já foram recebidas 1.6 milhões de doses da encomenda inicial, pelo que supostamente falta ainda receber, pelo menos, mais 1.4 milhões de doses completamente inúteis, que obviamente ficarão perdidas num qualquer armazém, porque já ninguém se vai vacinar contra uma ameaça virtual, pois não? Eu aposto que, daqui a mais 2 semanas, já nem se ouvirá falar de gripe A em Portugal. E no final deste ano 2010, em Outubro, após este vírus ter tido eventuais mutações, será que os milhões de vacinas terão alguma utilidade? Por agora, está tudo visto, é desmontar o "circo" e partir para o próximo negócio, com outro qualquer susto que se consiga arranjar em 2011 ou 2012.
Vídeo: Governo mantém apelo à vacinação contra a gripe A
Onda de mortalidade não se confirmou
Diziam os especialistas da OMS e portugueses que em Portugal a gripe A poderia fazer até 75 mil mortos caso a pandemia se verificasse. Ora, insiste ainda a OMS que aconteceu uma pandemia mas o certo é que ninguém viu essa onda de mortalidade pré-anunciada e reiterada pelos especialistas, pois em todo o mundo verificaram-se somente 14 mil mortes, algo diminuto face às usuais 500 mil por gripe sazonal. Neste ponto certamente discordarão de mim, dizendo que uma pandemia só depende da dispersão geográfica. Mas não pode depender unicamente disso, é igualmente indissociável de um critério de gravidade e virulência, pois pandemias têm necessariamente um carácter infrequente, não acontecem anualmente como a gripe sazonal. Porque senão a OMS também tinha de decretar pandemias todos os meses, no início de todos os Invernos de todos os países do mundo. Não faria sentido algum, pois não? Mas com a actual definição terá de fazer isso, e começou mesmo com esta gripe A. A informação disponibilizada pelo Ministério da Saúde é muito escassa, aliás num cenário de falsa pandemia conseguida à custa de critérios dúbios e manipulados à última da hora, apesar de alguns especialistas quererem fazer crer o contrário, não interessa nada estar a aprofundar este tipo de estatísticas, porque isso só adensaria a desconfiança da população que, digamos em abono da verdade, já não continuará igual após este episódio "pandémico". Basta reparar nos comentários que o povo, supostamente ignorante e sem formação científica, onde eu também me incluo, pois claro, tem deixado nas notícias d’O Público sobre a gripe A. Evidenciadores de que, por mais que a imprensa se deixe manipular e o Governo nos tente enganar, não acreditamos que isto não passou de um óptimo negócio para alguns, às custas do erário público de todos. Mas falando de mortalidade, já foi falado que "até hoje morreram 98 portugueses infectados, mais de 30 eram doentes de risco que recusaram a vacinação". E será que morreram mesmo por causa dessa recusa? Altamente improvável, tendo em conta a fraca redução de risco de morte por tomar a vacina. E também a evidência de que só 1 em cada 2 mil pessoas infectadas pelo H1N1 em Portugal acabou por morrer. E ainda pelo facto de que as pessoas não morrer com a gripe, mas sim devido a complicações que terminam em pneumonias fatais. Mas qual terá sido ao certo esta redução?
Vamos aqui realizar uma conta básica de Evidência Baseada na Medicina (EBM), um conceito que causa sempre alguma fricção às ideias feitas de alguns médicos, para tentar estimar este valor de forma muito conservativa. Vamos assumir que o universo de indivíduos em risco para a gripe A, ao invés dos 30% que o Ministério diz, é até bem menor, por exemplo apenas 10% da população de 10.627.250, ou seja, 1.062.725 pessoas, sendo que destas 500 mil foram já vacinadas. Ou seja, restaram 562.725 indivíduos de alto risco em Portugal, sem vacinação e à mercê da perigosíssima gripe A. Destes, terão alegadamente morrido 104 com (embora não necessariamente por) gripe A H1N1 num período de 3 meses. Portanto, o risco de morte com gripe A no inverno em Portugal, nos indivíduos de risco não-vacinados foi somente 0.0001848 (=104/562.725). Verdadeiramente ínfimo, não lhe parece? (Nas "pessoas saudáveis", se é que existem, este risco será necessariamente inferior). Admitamos também que as vacinas são fantásticas, com eficácia 100% no evitamento da morte pelo vírus, pelo que o risco de morte em indivíduos de risco vacinados terá sido nulo. Por outras palavras, nenhuma das fatalidades se verificou em indivíduos previamente vacinados. A diferença entre estes dois níveis de risco designa-se Redução de Risco Absoluta, e foi portanto apenas de 0.0001848, ou de forma equivalente 1 em 5411. Este denominador é o que em EBM se designa por Número Necessário Tratar, e representará aqui o número mínimo de pessoas a vacinar para, em média, evitar/adiar uma morte de uma pessoa que contrai a gripe A. Note-se que disse que é o "mínimo", porque, devido ao carácter conservativo da estimativa, é provável que seja substancialmente superior, talvez 10 ou 15 mil, ninguém sabe. Mas o fundamental a reter é que o que estes "especialistas" estão a querer transmitir com esta campanha de vacinação é que, para evitar apenas 1 morte por gripe A, faz muito sentido vacinar 5411 ou muitas mais pessoas, gastando com isso, se o custo de cada vacina for 7.5 euros (6 milhões de doses / 45 milhões de euros), cerca de 40.600 euros. Ora, não há obviamente sistema de saúde algum no mundo sustentável quando se defende este gasto desproporcionado e exorbitante. Naturalmente que há milhares de outras prioridades na saúde que se sobrepõem, muitas mortes podem igualmente ser evitadas/adiadas com intervenções 10 ou 100 vezes menos custosas, e sabemos que no mundo há muitas comunidades pobres que poderiam ser salvas com poucos euros por mês. Convém ter presente o que agora o próprio instituto Ricardo Jorge vem dizer, que o acréscimo de mortalidade em Portugal, pela gripe sazonal em 2008/2009, terá rondado os 1960 óbitos e que não há, actualmente (05/Fev/2010), qualquer impacto na taxa de mortalidade, que neste momento é baixíssima.
Por tudo acima exposto, não é preciso ser nenhum especialista para entender que esta colossal alocação de meios para a gripe A foi um completo logro, que não deveria ter sido levada tão longe e mantida durante tantos meses, e que nenhum país moderno e democrático se deveria ter deixado sujeitar, como assistimos, aos jogos de interesses das grandes companhias farmacêuticas.



