30 de Janeiro, 2010

OMS tinha uma definição de pandemia em vigor desde Fev/2003, mas por razões que terá de explicar resolveu mudá-la em Mai/2009 e, passando a ignorar critérios de severidade e virulência, promoveu esta gripe A administrativamente ao nível máximo pandémico

Autor: O Primitivo. Categoria: Civilização| Saúde

Vídeo: Tom Jefferson Talks About Swine
Flu Vaccine and the Politics Behind It

As (in)definições da OMS

No que respeita à actual "pandemia" gripe A (H1N1), a pergunta que actualmente sem impõe é a seguinte: "qualquer novo surto de vírus gripal deve possuir o estatuto de pandemia?". Esta pergunta, de resposta certamente óbvia para qualquer indivíduo mais atento, parece no entanto de reposta difícil para alguns. Pelo menos para os especialistas da OMS, que muito recentemente, por causa da gripe A, resolveram alterar a sua própria definição de pandemia. Note-se que a OMS tinha uma definição oficial de pandemia desde Fev/2003 e que manteve inalterada por vários anos, pelo menos até Abr/2009 (nota: através da Wayback Machine, e para que não restem dúvidas, é possível rever a versão anterior e a nova versão). Essa versão anterior, e que só foi agora alterada, era então a seguinte:

An influenza pandemic

"An influenza pandemic occurs when a new influenza virus appears against which the human population has no immunity, resulting in several, simultaneous epidemics worldwide with enormous numbers of deaths and illness. With the increase in global transport and communications, as well as urbanization and overcrowded conditions, epidemics due the new influenza virus are likely to quickly take hold around the world."

 

Fonte: OMS (ver aqui página de 02/Fev/2003).

Note-se a expressão que aqui se destaca a sublinhado, relativa à severidade (que resulta directamente da virulência): "com um enorme número de mortes e doença". Ou seja, a definição de pandemia anteriormente seguida pela OMS não considerava apenas a dispersão geográfica do vírus mas também a sua severidade, traduzida pelas morbilidade e mortalidade respectivas. No entanto, o ano passado e no arranque mundial desta gripe A, em finais de Abr/2009, a OMS apresentava ao mundo nova definição de pandemia, traduzida na escala actualmente em vigor, tendo nessa altura passado a gripe A para o nível 4. Posteriormente, em 11/Jun, esse nível de alerta foi elevado para o máximo de 6, algo só possível com a nova definição. Uma decisão essentialmente política, e não propriamente baseada em ciência ou coerente com o passado. E que nova definição é essa ao certo?

An influenza pandemic

A disease epidemic occurs when there are more cases of that disease than normal. A pandemic is a worldwide epidemic of a disease. An influenza pandemic may occur when a new influenza virus appears against which the human population has no immunity. With the increase in global transport, as well as urbanization and overcrowded conditions in some areas, epidemics due to a new influenza virus are likely to take hold around the world, and become a pandemic faster than before. WHO has defined the phases of a pandemic to provide a global framework to aid countries in pandemic preparedness and response planning. Pandemics can be either mild or severe in the illness and death they cause, and the severity of a pandemic can change over the course of that pandemic.

 

Fonte: OMS (ver aqui página actual).

Ou seja, uma definição razoavelmente difusa, algo subjectiva e, o pior de tudo, em que se deixou cair no estabelecimento do nível máximo pandémico o critério de severidade/virulência, apesar deste ser citado mas só para dizer que tanto faz, as consequências podem ser ligeiras ou severas. Ou seja, a partir dessa data bastaria verificar-se o critério de ampla dispersão geográfica do vírus para ser sempre pandemia, a eventual morbilidade/mortalidade associada não interessa para o caso. Sem esta nova definição não seria possível a nova "pandemia" de gripe A, até porque o mais provável, tendo em conta que o H1N1 tem vindo a perder virulência desde 1918/19 e que esta estirpe é já de 4a-geração, era que a morbilidade/mortalidade não assumissem proporções propriamente dantescas. E com efeito não assumiram, pois em Set/2009 veio a confirmar-se que a gripe A estava com mortalidade inferior à de gripe sazonal. A citada mudança de definição OMS não deixa de ser surpreendente e inexplicável, até porque no mês seguinte, em Mai/2009, a OMS aparentemente ainda valorizava o critério de severidade, traduzido pelo número de doentes e mortos, ou seja, pelos resultados do grau de virulência ("a capacidade patogénica de um microrganismo, medida pela mortalidade que produz e/ou pelo seu poder de invadir tecidos do hospedeiro").

"The major determinant of the severity of an influenza pandemic, as measured by the number of cases of severe illness and deaths it causes, is the inherent virulence of the virus. However, many other factors influence the overall severity of a pandemic’s impact.

 

Fonte: Assessing the severity of an influenza pandemic (Mai/2009).

Nesse mesmo mês de Maio/2009, e apesar da OMS ter deixado cair o seu critério de severidade no mês anterior, a OMS volta no entanto a referi-la no seu Registo Epidemiológico Semanal n. 22, cujas páginas em questão podem ser lidas aqui. Estas indecisões por parte de uma organização com tamanha influência na saúde mundial são necessariamente indesejáveis, pois geram confusão significativa, não só junto das populações mas também das próprias autoridades de saúde, que não dispõem de definições claras e que conduzam a intervenções objectivas.

Considerations for assessing the severity of an influenza pandemic

The WHO pandemic phases are based on the geographical spread of a pandemic virus and are intended as a global call to countries to increase their alertness and readiness. However, within each phase, countries may find it useful to assess the specific severity parameters of a pandemic at the national or regional level, as such assessments can be used to efficiently  target and scale the use of limited resources and interventions aimed at lowering pandemic-associated morbidity and mortality.

(…)

Determinants of severity

Pandemic severity has many dimensions, including economic and social consequences. However, WHO’s guidance on assessment of pandemic severity is based on effects on human health. The guidance is focused principally at the population level rather than at the individual level. Given these considerations, the “impact” of a pandemic on a population is a function of 3 determinants: (i) the pandemic virus and its virological characteristics, as well as the epidemiological and clinical manifestations; (ii) the vulnerability of the population; and (iii) the capacity of the population for response. An assessment of these 3 determinants will provide the most complete estimate of pandemic severity at national and subnational levels.

 

Fonte: OMS, WER nr. 22 (May/09).

Ou seja, por esta altura, apesar de já se assumir que as fases pandémicas passaram a depender unicamente do critério de dispersão geográfica, e não da severidade ou virulência, ainda se tinha o bom-senso de dizer que, em cada fase pandémica, os países poderiam considerar útil avaliar parâmetros de severidade ao nível nacional e/ou regional, pois essas avaliações poderiam ser úteis para gerir recursos limitados e intervir com vista a reduzir a morbilidade e mortalidade. Relativamente a estas avaliações nacionais, nesse documento pode ainda ler-se o seguinte:

The pandemic virus

WHO has advised countries to perform a national comprehensive assessment of the epidemiological, clinical and virological characteristics of the pandemic virus. Some of these characteristics will vary as a result of climate, time of year, population density and the further evolution of the pandemic virus over time. Therefore, comprehensive assessments should be made by the fi rst affected countries and also by as many other countries as possible as the situation evolves. Interpretation of these data will require additional information about the context in which they were collected, the methods for casefinding and how the assessments were carried out. Key data for such assessments include:

Epidemiological characteristics: total number of suspected and confirmed cases, and deaths; distribution of cases and deaths by age and sex; distribution of cases by health status (that is, people at risk for complications of seasonal influenza compared with healthy people); clinical attack rate; case-fatality ratio; and estimates of the incubation period, reproduction number (R0) and other transmission characteristics.

 

Fonte: OMS, WER nr. 22 (May/09).

Até aqui tudo certo e impossível de discordar, não fossem algumas constatações óbvias. É facto que a maioria dos países está simplesmente convencida que os critérios da OMS são absolutamente científicos, e por isso sem questionamento possível, pelo que nenhum governo nacional tem coragem para assumir responsabilidades contrariando recomendações da OMS. Isso seria até contrário ao moderno espírito de "serviço" público, que consiste em rejeitar sempre toda e qualquer responsabilidade. Segundo, os níveis máximos pandémicos da OMS implicam automaticamente intervenções farmacêuticas baseadas em vacinações em massa e administração de antivirais (Global Influenza Programme, pág. 43). Terceiro, Portugal, um país sem qualquer relevância na produção científica mundial, e que até despreza o conhecimento e os seus cientistas, não poderia naturalmente ter autoridades de saúde à altura de contrapor cientificamente as intenções da OMS. Vai daí, vamos mas é vacinar 30% da população do dia para a noite, mesmo que não exista qualquer evidência de riscos evidentes. Isto porque já se sabia em Set/2009 que a mortalidade era inferior à de gripe sazonal.

Dado que agora a gripe A já está em retrocesso na maior parte do mundo, pode dizer-se que o "pior" já passou. Fará por isso algum sentido continuar a vacinar massivamente os portugueses, para além dos 420 mil já vacinados? E é de acreditar que, perante este completo fiasco, alguém minimamente informado queira ser vacinado? A resposta é tão óbvia que o nosso governo já está a renegociar o fornecimento de vacinas, apesar da ministra da saúde manter que pretende vacinar 30% da população portuguesa. Aliás, a nossa Dra. Ana Jorge, que afirma ter grande confiança na OMS, ainda acredita que estamos numa pandemia, porque em Portugal ocorreram 80 mortes (convém notar que, em período similar, verificaram-se 30 mil óbitos em Portugal, 2 mil dos quais devidos à gripe sazonal e outros vírus com sintomas equivalentes). Vamos agora ver é se o contrato assinado não coloca os ónus todos no Estado português, como tem acontecido em outros "grandes" negócios dos nossos governantes.

 

Pandemia declarada, mas cientistas discordam da OMS

Vídeo: Pandemic flu or pandemic panic?

Em 11/Jun/2009, conforme publicado no jornal Eurosurveilance, a OMS elevava a gripe A ao nível máximo pandémico (ver artigo aqui), referindo no entanto, certamente para depois (ou seja, agora!) salvaguardar a sua posição, que a severidade da "epidemia" era ligeira e que as fases 5 e 6 da pandemia reflectiam unicamente a dispersão geográfica do vírus, e não necessariamente a sua severidade. E também não podia ser diferente, porque nesta altura o número de casos confirmados de gripe A(H1N1) no mundo era somente 28.774, com 144 mortes associadas. A OMS tenta dar uma espécie de explicação, não muito plausível, dizendo que é difícil explicar a não-especialistas como pode ser declarada uma pandemia, a primeira de gripe em 41 anos, num estágio em que a virulência é fraca e a mortalidade reduzida. Para a OMS uma fase máxima pandémica passou a consistir no seguinte:

Phase 6 is the highest level of pandemic alert. It can be difficult to understand for non-experts why this is triggered in response to a disease that, at least at this stage, is mild in the majority of people, with a low mortality rate published for North America. This can lead to confusion and uncertainty in the population, especially with the tendency of parts of the media to over-emphasise the sensational aspect of such news. This is why the WHO today emphasised once more that the term ‘pandemic’ describes the geographic spread of the disease rather than its severity and is a means of coordinating world-wide preventive measures.

 

Fonte: Euro Surveill. 2009;14(23):pii=19237.

A OMS diz que os cidadãos não têm capacidade para entender uma declaração de pandemia com baixa morbilidade e que, por seu lado, a imprensa também só sabe sensacionalizar. Mas o facto é que, perante a nova e pouco racional definição de pandemia da OMS, em inícios de Jun/2009 os cientistas começavam a questionar publicamente se estaríamos, ou não, perante uma verdadeira pandemia. Por exemplo, no artigo do New York Times Is This a Pandemic? Define ‘Pandemic’, o professor de saúde pública Dr. Michael Osterholm dizia que "não se pode utilizar a expressão pandemia só para [designar] uma transmissão mundial, porque se o fizermos todas as gripes sazonais anuais são uma pandemia." De igual modo, também na revista TIME se colocavam dúvidas, precisamente na véspera da declaração de pandemia, no artigo The H1N1 Flu: Is This a Pandemic, or Isn’t It?, fazendo notar que era reduzida a mortalidade e também que a definição da OMS só considerava a transmissibilidade, e não a severidade do vírus. Mas de todos os cientistas, talvez o mais incisivo tenha sido o epidemiologista Dr. Tom Jefferson, um médico com experiência em clínica geral no exército britânico e com 15 anos de colaboração nos estudos sobre gripes/vacinas da Cochrane (veja também as revisões).

Na sua entrevista a Der Spiegel, ‘A Whole Industry Is Waiting For A Pandemic’, de Jul/2009, o Dr. Jefferson explica que estes vírus gripais são imprevisíveis, pelo que se requer certo grau de precaução, e que, por essa razão, todos as previsões falham, ano após ano. Explica ainda que "às vezes parece que toda uma indústria está à espera de uma pandemia: a OMS e responsáveis oficiais de saúde, virologistas e companhias farmacêuticas. Eles construíram uma máquina à volta de uma pandemia iminente. E há muito dinheiro envolvido, influência, carreiras e instituições inteiras. E tudo o que bastou foi uma mutação de uma destes vírus para colocar a máquina a funcionar". Questionado sobre se OMS teria declarado a pandemia prematuramente, o Dr. Jefferson contrapõe perguntando: "Então não acha que há algo a registar acerca do facto da OMS ter mudado a sua definição de pandemia? A definição anterior era a de um novo vírus, que se propagava rapidamente, para o qual não havia imunidade e que produzia alta morbilidade e mortalidade. Agora estes últimos foram retirados, e é assim que a gripe suína foi classificada como pandemia".

 

Fonte: Der Spiegel (para aumentar, clique aqui).

SPIEGEL: For a number of years, as part of the Cochrane Collaboration, you have been systematically evaluating all the studies on immunization against seasonal influenza. How good does it work?

Tom Jefferson: Not particularly good. An influenza vaccine is not working for the majority of influenza-like illnesses because it is only designed to combat influenza viruses. For that reason, the vaccine changes nothing when it comes to the heightened mortality rate during the winter months. And, even in the best of cases, the vaccine only works against influenza viruses to a limited degree. Among other things, there is always the danger that the flu virus in circulation will have changed by the time that the vaccine product is finished with the result that, in the worst case, the vaccine will be totally ineffectual. In the best of cases, the few decent studies that exist show that the vaccine mainly works with healthy young adults. With children and the elderly, it only helps a little, if at all.

SPIEGEL: But aren’t those the exact groups that influenza immunization is recommended for?

Jefferson: Indeed. That’s one of the contradictions between scientific findings and practice, between evidence and policy.

SPIEGEL: So, what’s behind this contradiction?

Jefferson: Of course, that has something to do with the influence of the pharmaceutical industry. But it also has to do with the fact that the importance of influenza is completely overestimated. It has to do with research funds, power, influence and scientific reputations!

 

Fonte: A Whole Industry Is Waiting For A Pandemic (Spiegel)

Quando o jornalista do Der Spiegel refere que a gripe sazonal é a doença infecciosa mais mortal do mundo ocidental, o Dr. Tom Jefferson corrige, explicando que na realidade esta é sistematicamente sobrestimada, pois será responsável somente por apenas 7% dessas mortes, enquanto as restantes são resultado de outros 200 tipos de vírus, que não se conhecem ao certo mas que produzem sintomas similares aos da gripe sazonal. Acontece que estes vírus não são tão populares porque não se pode fazer dinheiro com eles, produzindo vacinas ou anti-virais. Na opinião do Dr. Jefferson, esta excessiva focalização nos vírus da gripe, incentivada pela indústria farmacêutica, retira a atenção de outros vírus, como por exemplo do Sars, um coronavirus que apareceu meteoricamente do nada, causou inúmeras mortes e depois desapareceu misteriosamente. Este estudioso refere ainda que o H1N1 tem vindo a perder virulência desde 1918/19, conforme atestam as gripes asiática de 1957 e a de Hong Kong em 1968/69. O Dr. Jefferson explica muito mais nesta extensa entrevista, concluindo que as vacinas possuem eficácia muito duvidosa, pelo que não há razão científica para estas vacinações em massa. A seu ver, o que de facto funciona, não só contra a gripe A mas contra todas os vírus respiratórios, a maioria dos vírus gastrointestinais e também germes, é lavar as mãos frequentemente. Pode ler a entrevista integral aqui.

Fonte: NEMJ. Para ampliar, clique aqui.

 

Afinal como definir pandemia?

No artigo Does every new influenza reassortant virus qualify as a pandemic virus?, o Dr. Peter Gross, da New Jersey Medical School refere a importância de se dispor de uma definição robusta e confiável para avaliação de risco pandémico. Mas com as mudanças recentes da OMS, essa definição, em seu entender, provocou confusão significativa. Explica que em 2005 o critério da OMS fazia depender a declaração de pandemia do aparecimento de um novo subtipo, obtida por recombinação por exemplo de A(H2N2) para A(H3N2) (ver Fase 3 da tabela abaixo). No entanto, ajustes recentes fazem com que tal já não se verifique. De acordo com a nova definição, quase qualquer novo vírus da gripe evidenciando recombinação de estirpes ou mutações do original H1N1 se qualificará como estirpe pandémica, bastando para isso que apresente rápida propagação entre humanos. Independentemente da sua severidade, pois claro. Apesar desta alteração parecer subtil, na opinião do Dr. Gross é significativa e constitui um problema para a nova definição da OMS. E com efeito assim é, porque a actual declaração de pandemia só foi possível devido a esta alteração, pois o presente H1N1 resulta de uma mutação (drift) do vírus original, e não de uma recombinação (shift). Note-se que este critério está relacionado com a novidade que o vírus representa para a imunidade dos indivíduos. Quanto mais diferente, maior é o pressuposto da sua maior virulência e potencial para causar doença e mortes. Portanto, está aqui nitidamente presente um critério implícito  também de severidade. E que a o OMS também deixou cair com a sua nova definição de pandemia!

 

2005 WHO criteria for pandemic flu
2009 WHO criteria for pandemic flu
Interpandemic period
Phase 1: Undetected in humans, though new subtypes may be present in animals (including swine and migratory birds).
Phase 1: No viruses circulating in animals have infected humans.
Phase 2: No new subtypes but an animal subtype circulating in animals poses a substantial risk to humans.
Phase 2: An animal virus is known to have caused infection in humans.
Pandemic alert period
Phase 3: Human infection has occurred with a new subtype but human-to-human spread is rare or has not occurred at all.
Phase 3: An animal or human-animal influenza reassortant virus has caused sporadic cases or small clusters of disease in humans.
Phase 4: Limited human-to-human transmission has occurred in small clusters.
Phase 4: Human-to-human transmission of an animal or humananimal influenza virus has caused community-level outbreaks.
Phase 5: Human-to-human spread has occurred in large clusters but is still localised.
Phase 5: Human-to-human spread has occurred in at least two countries in one WHO region. The six WHO regions are Africa, the Americas, Eastern Mediterranean, Europe, South-East (Asia), and Western Pacific.
Pandemic Period
Phase 6: Sustained transmission has occurred in the general population.
Phase 6: Community-level outbreaks have occurred in at least one country in a different WHO region than occurred in Phase 5. This indicates that a global pandemic is present.
Table 1: Differences between 2005 and 2009 WHO criteria for an influenza pandemic.

MEDSCAPE

The 2005 WHO criteria for declaring a pandemic require an antigenic shift, or appearance of a new influenza subtype, such as a change from A (H2N2) to A (H3N2), whereas the new definition would result in almost any influenza virus demonstrating drift, or mutation from the original subtype, to qualify as a pandemic strain if it showed rapid transmission from human to human.

It is often difficult to predict how much morbidity and mortality will ensue from infection with a particular virus strain — case in point being the current influenza A (H1N1) pandemic, which thus far has not been as severe as one would expect from a true pandemic.

Nonetheless, the novel A (H1N1) influenza strain, which is only a drifted and not a shifted strain, is significantly divergent from seasonal A (H1N1) strains antigenically and genetically, as determined by advanced testing technology.

 

Fonte: New WHO Criteria May Qualify More Flu Viruses as Pandemic Strains.

Numa publicação recente, o Dr. David Morens e colegas, fazendo notar que a própria literatura científica epidemiológica não fornece uma definição clara e unânime de pandemia, descrevem o que consideram ser os critérios necessários para o seu estabelecimento. Esses critérios envolvem: uma ampla dispersão geográfica, mobilidade da doença, alta taxa de ataque e explosividade, mínima imunidade populacional, novidade, infecciosidade, contagiosidade e severidade. De acordo com o Dr. Peter Gross, se aplicarmos estes critérios comparativamente com as pandemias anteriores, a esta nova gripe A falta o critério de novidade (Morens considera as mutações usuais, mas não as recombinações). Mas passemos agora ao artigo What is a pandemic? do Dr. Morens, um especialista conceituado que nos fornece algumas explicações históricas, e convenhamos, algo triviais, sobre o significado de pandemia. A parte mais interessante do artigo é sem dúvida quando se enumeram os critérios necessários à declaração de pandemia. A saber:

Describing Pandemic

Wide geographic extension. Almost all uses of the term pandemic refer to diseases that extend over large geographic areas—for example, the 14th-century plague (the Black Death), cholera, influenza, and human immunodeficiency virus (HIV)/ AIDS. In a recent review of the history of pandemic influenza coauthored by one of us (D.M.M.), pandemics were categorized as transregional (2 or more adjacent regions of the world), interregional (2 or more nonadjacent regions), and global.

Disease movement. In addition to geographic extension, most uses of the term pandemic imply disease movement or spread via transmission that can be traced from place to place, as has been done historically for centuries (eg, the Black Death). Examples of disease movement include widespread person-to-person spread of diseases caused by respiratory viruses, such as influenza and SARS, or enteric organisms, such as Vibrio cholerae, or the spread of dengue associated with the extension of the geographic range of vectors, such as Aedes albopictus mosquitoes.

High attack rates and explosiveness. Diseases with indolent rates of transmission or low rates of symptomatic disease are rarely classified as pandemics, even when they spread widely. West Nile virus infection spread from the Middle East to both Russia and the Western hemisphere in 1999; however, this disease spread has not generally been called a pandemic, presumably because attack rates have been moderate and symptomatic cases have been relatively few. Notorious pandemics have tended to exhibit not only high attack rates but also “explosive” spread—that is, multiple cases appearing within a short time. This epidemiologic feature typifies both common-source acquisition and highly contagious diseases of short incubation periods—for example, the 14th-century plague, cholera in 1831–1832, and influenza on many occasions.

Minimal population immunity. Although pandemics often have been described in partly immune populations (eg, evidence for a modest degree of protection in persons 160 years of age in the 1918 influenza pandemic), it is obvious that in limiting microbial infection and transmission, population immunity can be a powerful antipandemic force. However, immunity is a relative concept that does not necessarily imply full protection from infection, as is the case for pandemic diseases as different as cholera and influenza associated with new subtypes or drifted strains.

Novelty. The term pandemic has been used most commonly to describe diseases that are new, or at least associated with novel variants of existing organisms—for example, antigenic shifts occurring in influenza viruses, the emergence of HIV/ AIDS when it was recognized in the early 1980s, and historical epidemics of diseases, such as plague. Novelty is a relative concept, however. There have been 7 cholera pandemics during the past 200 years, presumably all caused by variants of the same organism; usage clearly dictates that when pandemics come and then disappear for long periods, they are still pandemics when they return. Indeed, pandemicity can be said to be a characteristic feature of certain repeatedly reemerging diseases, such as cholera and influenza.

Infectiousness. The term pandemic has less commonly been used to describe presumably noninfectious diseases, such as obesity, or risk behaviors, such as cigarette smoking, that are geographically extensive and may be rising in global incidence but are not transmissible. Such uses of the term generally appear less in scientific discussions than they do in public health communication and education, suggesting an intention to stress the importance of the health problem by using the term pandemic in a colloquial rather than scientific sense.

Contagiousness. Many, if not most, infectious diseases considered to be pandemic by public health officials are contagious from person to person, such as influenza. Other diseases have multiple means of transmission, including those that are occasionally contagious but more commonly transmitted by different mechanisms, such as plague (by fleas) and cholera (by water).

Severity. Although disease severity has not been a conventional pandemic criterion, the term pandemic has been applied to severe or fatal diseases (eg, the Black Death, HIV/AIDS, and SARS) much more commonly than it has been applied to mild diseases. Diseases of low or moderate severity, such as AHC in 1981, and cyclic global recurrences of scabies (an infestation, not an infection), also have been called pandemic when they exhibit explosive (AHC) or widespread and recurrent (scabies) geographic spread.

 

Fonte: What is a pandemic? (Dr. Morens)

Observações finais

O critério de severidade não pode ser excluído de uma definição robusta de pandemia, senão deixa essa própria definição de possuir qualquer utilidade. Não faz qualquer sentido a OMS estar a declarar anualmente pandemias de gripe sazonal, pois elas sempre existiram, e continuarão a existir, com morbilidades/mortalidades sempre similares. Para além disto, há um pressuposto, enraizado na mentalidade dos médicos e população, de que as vacinas são inócuas e saudáveis, mas não o são necessariamente para a maioria das pessoas. E os estudos científicos, o que se designa por "hard evidence", não se pode dizer que suportem estas ideias modernas de vacinação em massa. O Dr. Morens no seu artigo What is a pandemic? questiona acerca das implicações de se utilizar uma definição flexível e subjectiva, com diferentes significados conforme o observador, e que varia quando aplicada a diferentes doenças. Ao ter relaxado em Mai/2009 o critério de pandemia que mantinha há 7 anos, de propósito por causa desta gripe A, a OMS colocou-se obviamente à mercê de todas as críticas, em especial das que lhe apontam o estar a ser influenciada pela poderosa indústria farmacêutica. E convenhamos, é do senso comum, nas instituições onde há decisões que afectam milhões de pessoas, em dezenas de países, também há sempre muito dinheiro a circular. E nas grandes instituições onde há dinheiro, isto não é nenhuma novidade, há sempre corrupção corporativa sobrepondo-se a tudo: à ciência, à saúde, ao bom-senso. Sempre foi assim, e sempre será.

What Is a Pandemic?

Pandemic “phases” were for the purpose of informing and communicating with the public and ministers of health and triggering public health responses. Indeed, for the past several years, the global health community was tracking the frequently fatal but poorly transmissible H5N1 influenza A virus in anticipation of a pandemic outbreak. Thus, when a relatively nonsevere novel H1N1 virus appeared in April 2009 and then spread widely, many thought that use of the term pandemic—by then, unfortunately associated with a single deadly but nonpandemic virus (H5N1)—was tantamount to triggering a state of alarm not commensurate with the seriousness of the situation. The WHO pointed out that the pandemic influenza phases emphasized geographic distribution of disease caused by the emergent virus, not its severity, but also moved to quell confusion by introducing discussions of severity in briefings and official documents. Unfortunately, clarity was hard to achieve against the backdrop of longstanding ambiguity.

Outside of taxonomic considerations, scientific terminology often arises by habit and usage rather than by choice. Once we have a term, changing it may be difficult, and there is no consensus process for doing so. What are the implications of using a flexible and subjective term that means different things to different observers and varies when applied to different diseases? We note that, during the ongoing H1N1 pandemic, there rarely has been confusion among scientists and public health officials themselves. Problems arose mainly in the translation of complex scientific ideas into publicly comprehensible language, a process that frequently introduces scientific terminology without the caveats and complications that otherwise accompany them. Influencing the public vocabulary regarding scientific concepts remains a formidable task against the backdrop of widespread scientific illiteracy.

 

Fonte: What is a pandemic? (Dr. Morens)

Artigos relacionados:

WHO:

Influenza, World Health Organization
Pandemic influenza preparedness and response (2009)
Pandemic Phase Deswcriptions and Main Actions by Phase
Pandemic alert level 6: Scientific criteria for an influenza pandemic fulfilled
Considerations for assessing the severity of an influenza (WER)
Assessing the severity of an influenza pandemic

Artigos/entrevistas:

Does every new influenza reassortant virus qualify (Dr. Peter Gross)
What is a pandemic? (Dr. David Morens)
The persistent legacy of the 1918 influenza virus (Dr. Morens)
Call for clarity on pandemics (EHT forum)
New WHO Criteria To Qualify Flu Viruses As Pandemic Strains

Pandemic Flu (British Medical Journal)

A Whole Industry is Waiting for a Pandemic (Dr. Tom Jefferson)
Interview: Dr Tom Jefferson and pandemic flu vaccines

Influenza vaccination: policy versus evidence
Cochrane Influenza Resources (
Cochrane Collaboration)
The Cochrane Library (Cochrane Collaboration)

Goodbye swine flu: boutique pandemic of 2009 (The Doctor Within)
Swine flu vaccine oct 2009: licensed and untested (The Doctor Within)
Swine flu: global pandemic or just makin’ bacon? (The Doctor Within)

Vacinas:

National Vaccine Information Center
Vaccination Risk Awareness Network
Vaccination Liberation
Grippe/Flu (Dr. Wolfgang Wodarg)
The Flu Case (Jane Burgermeister)
Anthrax Vaccine (Dr. Meryl Nass)
Pandemic Flu Online
The One Click Group
Natural News

 

Wikipedia:

Influenza pandemic (Wikipedia)

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1 comentário a este artigo.

1 | emerson cardoso

30 de Janeiro, 2010, 13:31

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Otimo artigo, muito bom mesmo. Eu traduzi o primeiro video no post em meu blog no qual voce comentou:

http://www.anovaordemmundial.com/2009/09/epidemiologista-afirma-que-oms-alterou.html

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  • Michael: Fico feliz que tenha gostado do artigo. Obrigado pela menção!
  • NADIR CASTILO: Muito boa a lembrança do trabalho da Dra Denise Carreiro, sou nutricionista e acho que o trabalho da Dra Denise Carreiro é realmente desbravador. Se
  • emerson cardoso: Otimo artigo, muito bom mesmo. Eu traduzi o primeiro video no post em meu blog no qual voce comentou: http://www.anovaordemmundial.com/2009/09/epid

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