04 de Agosto, 2009
Banha de porco, uma gordura saturada mortal a curto prazo ou apenas mais um alimento tradicional injustamente condenado por “especialistas” equivocados?
Poster: "Eles estão felizes porque comem
banha de porco (em inglês, "lard").
Estava há pouco a ver esta apresentação sobre obesidade e cancro no Youtube e eis que, aos 11m30s, aparece a imagem acima, o que suscita uma imediata gargalhada por parte da audiência. O orador de serviço, o Dr. Michael Thun, um epidemiologista da American Cancer Society, completa dizendo que "a publicidade a comidas não-saudáveis não é novidade". Ao que se seguem mais algumas gargalhadas, em jeito de galhofa, por parte de que se supõe ser uma audiência especializada. Pergunto se será razão para rir ou para chorar? É que estes "especialistas", de facto, parecem não possuir qualquer pista sobre saúde, alimentos tradicionais, nutrição, doença cardiovascular, etc. Defender a banha de porco como gordura saudável que é, é na realidade até bastante fácil. Desde sempre foi a gordura favorita de inúmeros povos primitivos, nomeadamente do povo de Okinawa, que é o povo com maior longevidade do planeta. Mas usualmente este facto, o dos okinawanos adorarem banha de porco, nunca é referido. É que não encaixa no conceito ocidental de saudável, os nutricionistas não aceitam esta ideia. Talvez hoje seja muito difícil de acreditar, mas no mundo real as pessoas eram saudáveis e consumiam principalmente gorduras saturadas, sendo a banha de porco (em inglês, "lard") uma dessas gorduras de eleição. Apesar desta incontornável evidência, com toda a brutal propaganda anti-gorduras saturadas promovida pelo lóbie margarineiro, interessado unicamente em vender as suas gorduras polinsaturadas muito "saudáveis" mas por acaso até sérias causadoras de doença cardiovascular (é ver o LDL a oxidar mais depressa nas artérias com tanto ómega-6 rançoso), já ninguém acredita que a banha de porco, uma gordura por sinal bastante estável ao calor, possa, efectivamente, ser uma gordura saudável. Estão todos convencidos, nomeadamente os "especialistas", que as gorduras saturadas são as culpadas por todos os males da civilização! E isto apesar, repare-se, de não existir na literatura científica um único estudo demonstrando causalidade entre consumo de gordura saturada e doença cardiovascular, nunca ninguém morreu por comer gordura saturada no contexto de uma dieta equilibrada (seja lá o que isto for), nem nunca se conseguiu produzir doença cardiovascular num animal de laboratório alimentado só com estas gorduras (Nota: Tenha sempre em mente que o princípio das dietas low-fat que os modernos nutricionistas adoram é a redução de gorduras, designadamente das saturadas, pelo que falar de low-fat é o mesmo que falar de low-sat-fat. E já sabemos o completo logro que estas dietas low-fat são, não é? Em alguns estudos, a low-fat até fez aumentar a mortalidade cardiovascular!!!). Eu sei que é dificílimo de se acreditar nisto, ainda para mais vindo de um blogue chamado Canibais não sei de quê. Mas não se ria como os "especialistas" na plateia da conferência em questão o fizeram, porque essa ignorância e presunção até pode sair-lhe muito cara!
PS: Para terminar, duas sugestões de leitura:
"Eat Fat Lose Fat by Sally Fallon and Mary Enig", por Lara Grinevitch
The L-word, no Whole Health Source
"During the 19th century, lard was used in a similar fashion as butter in North America and many European nations. Lard was also held at the same level of popularity as butter in the early 20th century and was widely used as a substitute for butter during World War II. As a readily available by-product of modern pork production, lard had been cheaper and more flavorful than most vegetable oils, and it was common in many people’s diet until the industrial revolution made vegetable oils more common and more affordable. Vegetable shortenings were developed in the early 1900s, which made it possible to use vegetable-based fats in baking and in other uses where solid fats were called for.
Toward the late 20th century, lard began to be regarded as less healthy than vegetable oils (such as olive and sunflower oil) because of its high saturated fatty acid and cholesterol content. However, despite its reputation, lard has less saturated fat, more unsaturated fat, and less cholesterol than an equal amount of butter by weight.[2] Unlike many margarines and vegetable shortenings, unhydrogenated lard contains no trans fat. Despite its similar chemical constituency and lower saturated fat content than butter, lard typically incites much consternation and disapproval from many people in the English-speaking world. This may stem from attitudes and the perceived nature of the source animal for lard, or the methods required to obtain the fat from its source. It is also based on the image of lard as a "poverty food".
Fonte: Wikipedia.
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